As empresas do setor de alimentos, principalmente carnes, vão conseguir manter a boa performance em 2002? Ou estarão voltadas para o mercado interno, acirrando ainda mais a concorrência no setor?
Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) a desvalorização do dólar pode ter impulsionado as vendas das empresas brasileiras do setor de alimentos no exterior, mas o mercado interno é e continuará sendo o principal cliente de empresas como Sadia, Perdigão e Seara.
Essa é uma das conclusões da monografia do MBA em Economia do Setor Financeiro, da Fipe, elaborada pelos pesquisadores Graziella Valenti e André Figueiredo.
O estudo - divulgado ontem pela Agência Estado - aponta também que a verticalização das companhias brasileiras desse segmento, apesar dos custos fixos elevados, seduz empresas do exterior devido à vistosa rede de distribuição, mas ao mesmo tempo funciona como uma verdadeira muralha para os novos no setor. Por esse motivo, o principal risco é a eventual associação entre players locais.
Conforme o estudo de Graziela e Figueiredo, as empresas brasileiras não têm interesse em ceder sua distribuição - segmento de primordial na estratégica. ‘‘Sem contar que, com isso, estariam arcando com o mais caro de todo o processo. Uma ligação desse tipo poderia representar também uma ameaça no futuro, com perda de market share’’, analisa Graziela, em entrevista ontem à repórter Neusa Ramos, da AE.
Outra conclusão é que as grandes empresas brasileiras do setor de alimentos têm outras proteções contra a entrada de um novo player externo no Brasil, entre elas a exigência de elevada capacidade de financiamento, a necessidade de escala para viabilizar a produção, a dificuldade de colocação de uma nova marca no mercado e de acesso às informações sobre os hábitos e gostos de consumo da população nacional e de acesso à matéria-prima de qualidade. ‘‘Os grandes competidores nacionais controlam o abate justamente pela necessidade de qualidade, segundo o estudo.
O racionamento de energia, ainda de acordo com o estudo, não representou apenas uma ameaça para o consumo de congelados, mas também oportunidades para empresas de alimentos com eficiente rede de distribuição. Essa situação ocorreu porque, à medida que o consumidor extinguiu os estoques de produtos em casa, ele passou a frequentar supermercados mais vezes e essa alteração favoreceu o varejo miúdo, exigindo mais das redes de distribuição das indústrias.

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