Trade exportará leite


Esta semana é decisiva para a fundação de uma trade que poderá se transformar em divisor de águas na história da importação/exportação de leite em pó. Nesta quinta-feira reúnem-se em São Paulo representantes de três grandes grupos da cadeia produtiva do leite: Confepar (Cooperativa Central Agro-industrial Ltda), Itambé e Embaré. Juntas, a paranaense e as marcas mineiras, vão criar a Serlac. A formatação da trade foi objeto de reuniões nos últimos dias com detalhes acertados ontem em Londrina. A nova empresa tratará da exportação, a médio e longo prazos, mas quer participar dos critérios de importação.
‘‘A idéia é exportar, mas queremos ter participação ativa nos processos que definam essas importações, e fazer parte delas, como fez o setor automotivo’’ - exemplifica o presidente da Confepar, o médico-veterinário e produtor Renato José Beleze. A Serlac, com origem na produção, atuaria como um regulador de mercado.
A Confepar entra no projeto com determinação ‘lastreada’ nos dados do seu desempenho no ano passado. A indústria das cooperativas fechou 2001 com crescimento de 25% na receita bruta sobre o ano anterior. Na captação de leite, o crescimento foi de 14%. Mas o indicador mais expressivo ocorreu no crescimento da produção industrial: 70% no leite em pó, seu forte, e 30% no leite longa vida, das marcas Polly e Cativa. No leite pasteurizado o desempenho foi negativo, ‘‘mas isto faz parte de uma história longa’’, resume Beleze (a situação da Confepar e cooperativas fornecedoras são tema de reportagem especial amanhã neste caderno).
Negócios com a trade à parte, a Confepar tem outra meta: em quatro anos quer ser referência em leite em pó no Brasil; em qualidade e custo de produção. Como parte do processo de unificação das cooperativas do Norte do Paraná, em setembro de 1998, a Confepar também redefiniu seu papel, focando mais na produção de leite em pó e reduzindo o leque de produtos, como fizeram as cooperativas singulares, em número de oito. Como prestador de serviços, a Confepar atende a um setor (indústria de sorvetes, iogurtes, achocolatados, bolachas, etc) que cresceu 15% no ano passado.
Em resumo, as cooperativas abriram mão do valor agregado proporcionado por um leque de derivados (queijo, requeijão, doce-de-leite e sub produtos como manteiga e creme de leite), mas ganharam na escala do leite em pó e do integral. Certo ou errado, foi a saída, àquela época, para um período de muita exacerbação por espaço comercial e pouca liquidez. Ou como define o presidente da Cativa, Adir Salla, referindo-se ao requeijão cremoso, ganhador de prêmios nacionais: ‘‘A gente ganhava troféus e perdia dinheiro’’.

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