Oswaldo Petrin
Ano do milho
Com um estoque de passagem dos mais baixo da história, decorrente da redução da safra de verão, seria natural que o milho mantivesse um mercado nervoso, como designa a linguagem do setor. Mas a reação até que vinha lenta. Diagnósticos que pendem para o lado da oferta, não interessam à indústria e ao mercado de commodities. A própria indústria moageira procura ignorar o quadro, ou minimizar virtuais impactos sobre os preços a médio prazo.
Como questões pontuais temos seca no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, agora, num cenário bem mais claro, uma retração das exportações da Argentina, que foi notícia nos jornais de ontem.
Para os traders, era uma questão de tempo e a Argentina, na esteira da desvalorização do peso, trataria de tirar o máximo de proveito da nova política cambial. Afinal, alguma coisa teria que ser exceção, em meio à tantas adversidades.
Tal como já vinha fazendo com o trigo, a Argentina está retendo o milho e com isso aumenta sua competitividade. O produtor argentino sabe que quanto mais segura, mais recebe pelo trigo e pelo milho. Indiretamente fortalece ainda mais o quadro de escassez do produto brasileiro e agrega mais um fator de alta.
O clima no Rio Grande do Sul ajuda a elevar o preço do milho, mesmo que o fator seja meramente especulativo, pois a redução não será tanta. Mas, ainda ontem o boletim da FNP, de São Paulo, distribuído para centenas de agentes do mercado, incluia a seca gaúcha como fator de alta. A falta de chuva aumenta as expectativas de quebra de safra no Rio Grande do Sul e pode dar suporte à elevação de preços, diversamente do esperado, afirmam os analistas da FNP.
No Paraná, chuve bem no Norte do estado, mas no geral o cenário é de escassez hídrica no Noroeste, Oeste e Sul, o que deverá barrar novas quedas de preço esperadas no curto prazo. Ainda no Paraná, o mercado exportador apresenta-se ofertado mas em atividade. Paranaguá, o maior formador de preços esteve fora do mercado, à espera de melhor definição do câmbio. Preços nominais no porto entre R$ 13,20 a R$ 13,40 (não confundir com preços no interior).
Este é o quadro atual, que muda em poucas semanas. Mas, uma coisa é certa: no médio prazo, este é o ano do milho, com preços valorizados, mercado comprador, sensível às informações como a de que a Argentina quer caro pelo seu produto e, portanto, por exemplo. Se, por variáveis extramercados o cenário não se confirmar, aí é outra história, mas, a princípio as coisas caminham bem para quem vende.





