Oswaldo Petrin
Negligência na carne
Exatamente hoje, enquanto o ministro Pratini lança o programa de rastreabilidade da carne bovina - que pressupõe organização da produção -, fiscais da Segurança Alimentar dos Estados Unidos chegam ao Brasil para avaliar o sistema de vigilância sanitária. Tudo por causa de uma burrada de um friorífico de Mato Grosso. A fiscalização norte-americana retirou do mercado, por irregularidades, certa quantidade (740 toneladas) de carne cozida e enlatada (corned beef) vendida por um frigorífico de Campo Grande.
O flagrante sobre a carne brasileira - divulgado no início da semana - tem má repercussão para um país que pretende ocupar espaço no mercado internacional. Não havia produto deteriorado ou algo parecido: a retirada se deu porque a rotulagem da mercadoria não especificava a composição superior a 5% da chamada carne de terceira (cabeça e coração). Esses ingredientes são proibidos nos EUA. Isto não deixa de configurar negligência.
Sobre a rastreabilidade: o programa permitirá identificar o rebanho bovino desde o nascimento do animal até a entrada no frigorífico. Segundo o ministro, o programa será implementado em etapas e até 2007 todo o rebanho nacional, estimado em 160 milhões de cabeças, deverá estar identificado.
Inicialmente serão enquadrados no programa os bovinos destinados ao abate para exportação, em razão da exigência feita pela União Européia de só adquirir, a partir deste mês, carne bovina de animais sujeitos à rastreabilidade. Em uma segunda etapa, os animais procedentes de zonas livres da febre aftosa com vacinação deverão ser incluídos no programa.
Até 2007, todo o rebanho deverá ser identificado. Haverá informações desde o nascimento do animal até o momento em que ele chega à mesa do consumidor, pelo menos é o que prevê o programa; é o que promete o ministro. O novo sistema obrigará os produtores a manter um cadastro individual dos animais contendo dados sobre data e local de nascimento, sistemas de alimentação, movimentação do rebanho e ocorrências de morte. Neste último caso, o certificado de origem terá de ser devolvido.
O Diário Oficial da União, de hoje, e o site do Ministério da Agricultura (Defesa Sanitária Animal) têm mais informações sobre os critérios e as exigências para quem quiser entrar no programa.





