Balança comercial


O saldo negativo da balança comercial, divulgado oficialmente ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, já era esperado pelo próprio governo. No meio do ano, o Ministério da Fazenda chegou a ser alertado; os técnicos previram o déficit. O que ninguém imaginava é que a diferença de saldo entre exportações e importações chegasse a um ponto tão alto. Quase 700 milhões é o ‘‘saldo’’.
Em anos anteriores, pelo menos por três anos consecutivos, o saldo da balança, negativo no total dos exportados, foi puxado pelos produtos primários. Assim, a agricultura salvou a balança. Os dólares que o País precisava eram convertidos pelas exportações agropecuárias.
Este ano, com os preços das commodities muito baixos no mercado internacional, a receita do agronegócio foi menor, apesar do aumento do volume exportado, tanto em grãos, caso do complexo soja, como em produtos de origem animal, caso da carne bovina e do frango.
Como a agricultura terá pela frente pelo menos mais quatro meses fracos, o governo tem motivos para preocupar-se com o saldo da balança no primeiro trimestre deste ano. Nesse período, as exportações de produtos básicos são tradicionalmente fracas por causa do cronograma das safras agrícolas. Se depender do café, então, pior ainda, pois as chances de reversão do atual quadro são remotas.
O aumento do petróleo foi o grande vilão da balança no ano passado. Os gastos com combustíveis e lubrificantes aumentaram mais de US$ 2 bilhões em 2000, se comparados a 1999. A participação das compras de petróleo na pauta de importações brasileiras passou de 8,6% (US$ 4,257 bilhões) para 11,4% (US$ 6,362 bilhões), embora o País tenha cortado em cerca de 15% as quantidades importadas desse produto.
A meta do governo, para este ano, será aumentar em 20% as exportações em 2000, chegando a pelo menos US$ 66 bilhões. Não haverá projeções para o saldo comercial. O governo pretende implementar medidas de incremento à exportação de carne bovina e outros itens, inclusive frutas. (veja matéria neste caderno de Economia).




LEITURA DINÂMICA

- Passou quase sem registro na imprensa e na comunidade técnica a Medida Provisória (MP) divulgada na sexta-feira, delegando mais poderes à Comissão Técnica de Biosegurança (CTNBio).
- A partir da MP 2.137, a CTNBio terá todos os poderes para autorizar - da importação até uso e plantio - de produtos geneticamente modificados.
- A CTNBio ganhou notoriedade com a polêmica dos transgênicos. Chegou a perder temporariamente, por decisão judicial, o poder de decisão sobre o assunto que agora está recuperando.
- No caso dos transgênicos, de acordo com MP, divulgada na sexta, a CTNBio pode dispensar estudos de impacto ambiental para experiências com materiais científicos.
- A MP atribui à CTNBio as tarefas de identificar as atividades potencialmente poluidoras do meio ambiente e da saúde humana.
- A comissão é um colegiado técnico integrado por representantes de vários órgãos científicos que, entre outras atribuições, dá parecer sobre materiais geneticamente modificados.
- A CTNBio chegou a ser desautorizada pela Justiça durante discussões, ano passado, sobre implantação experimental de produtos transgênicos.
- Tanto que, segundo fonte do Ministério da Agricultura, a MP dando poderes para a CTNBio, visa evitar a chuva de liminares contra a liberação de transgênicos.
- A MP determina que o parecer técnico conclusivo da CTNBio vincula os demais órgãos da administração quanto aos aspectos de biossegurança dos organismos geneticamente modificados analisados.
- Para a fonte do Ministério, as alterações que constam da MP permitirão à comissão exercer sua autoridade em biossegurança e tornarão mais claras as interfaces entre CTNBio e órgãos do setor. (‘‘Valor Econômico’’).




DROPS

Péssimo começo O mercado cafeeiro começou o novo ano em baixa tanto nas Bolsas de Londres e Nova York - que recuaram ontem -, como no mercado físico. Nem os bons cafés do cerrado mineiro e da Mogiana conseguiram compradores. Mas as ofertas também foram poucas, mostrando que a queda-de-braço vai continuar entre produtoreos e torrefações. No Paraná, cafés finos, do tipo 6, bebendo duro, padrão exportação, não passaram de R$ 110,00, com poucos negócios (R$ 190,00/205,00 ano passado nesta época.
Soja/esperança O mercado da soja também começou apático mas os operadores acreditam no aquecimento ainda no decorrer desta semana, antes, portanto, de o Usda divulgar seu relatório (no próximo dia 10), em que deve mostrar dados otimistas sobre demanda mundial.
Soja/ontem Ontem, Chicago fechou em baixa para todos os contratos futuros. Nominal para contratos do mês de maio: US$ 5,1200/bushel. Os valores de maio são referencial para o mercado brasileiro, coincidem com a alta da temporada de comercialização. Principalmente este ano em que as vendas futuras estão fracas e o fluxo atrasado.
Soja/ontem 2 O mercado caiu na Bolsa de Chicago, ontem, por conta das notícias sobre as boas condições de clima na América do Sul. Chuvas nas lavouras da Argentina - que enfrentavam estiagens localizadas até semana passada - e as boas condições da safra brasileira afastaram hipótese de alta. O mercado cedeu.
Exportações Outro fator de alta são os relatórios das exportações norte-americanas que crescem por conta da vaca, aumento da demanda da UE e países asiáticos. O último relatório, referente à semana que terminou dia 28 de dezembro, mostrou aumento substancial dos embarques americanos.
Soja/Usda Para alguns agentes do mercado de soja, não será novidade se o Usda, no seu relatório da próxima semana, reduzir as previsões de safra para Argentina e Brasil. No relatório de novembro a previsão foi superestimada.

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