Turbulência em 2002

O mapa da economia para 2002 abriga o crescimento de vários setores - primário, industrial e de serviços -, mas não conseguirá reeditar saltos como o do agronegócio, por exemplo, beneficiado por variáveis externas, extramercado.

Além disso, o cenário não dissimula o medo dos agentes econômicos com a nítida ascensão dos índices aferidores de inflação e com as taxas de juros. A inflação pode dar trégua no primeiro trimestre - período recessivo - mas volta após março, segundo especialistas. As pré-condições para isto já estão instaladas. Aumento das tarifas públicas, por exemplo, a despeito da anunciada redução do petróleo.

Por ser ano político admite-se um esforço maior para contenção de preços. Mas os meios a que o governo pode recorrer - entre eles o arrocho monetário - já estão se esgotando e não serão suficientes.

Porém, tem-se como certo o crescimento de alguns setores como o de serviços, que deve manter sua boa performance deste ano. O setor de prestação de serviços fecha o ano com pequeno crescimento nas vendas, o menor dos últimos 6 anos. O segmento de Telefonia foi o único que registrou crescimento em 2001 (8,3%). Os demais, transporte aéreo, construção civil e energia elétrica, tiveram retração nas vendas de -3,4%, -3,3% e -1,8%, respectivamente, quando comparado com 2000. Construção civil teve retração nas vendas, porém fecha no azul.

O segmento de telefonia foi o responsável pelo crescimento das vendas no setor, em função do aumento da base instalada, que permitiu a algumas empresas antecipar as metas de 2002 acordadas com a Anatel. No transporte aéreo, apesar do crescimento do número de passageiros transportados (10,2%), a concorrência acirrada e a redução de viagens ao exterior impediram melhor faturamento.

Na Construção Civil, focada mais no habitacional, apesar da maior oferta de unidades, a expansão não foi significativa em razão da cautela dos consumidores diante das incertezas que rondavam a macroeconomia no segundo semetre. Apesar do fracasso das vendas, o setor como um todo apresentou crescimento de 5,4%.


Réveillon em crise O mercado brasileiro de eventos movimentou este ano R$ 3 bilhões, 7% menos que em 2000. Segundo a Associação de Marketing Promocional, a retração decorre da crise macroeconômica. A 6 Edição do Réveillon da Paulista deixa de ser realizada por falta de patrocinador, segundo a Playmusic, organizadora do evento.


Carne/2002 As exportações brasileiras de carne bovina em 2002, segundo nossas projeções, devem render US$ 1,06 bilhão para um volume a ser exportado de 838 mil toneladas de equivalente carcaça. Ou seja, um crescimento em relação a 2001, ainda modesto.


Novos clientes Novos mercados como Rússia, China e Oriente Médio devem contrabalançar um previsto recuo nas exportações para Chile e Israel, que devem voltar a importar em maior quantidade do Uruguai e da Argentina em 2002.


Em 2001 Este ano as exportações, em volume, devem chegar a 800 mil toneladas (de carne in natura e industrializada), mais de 40% sobre exportações do ano passado. Em receita, ultrapassa US$ 970 milhões.

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