Tarifas civilizadas

Quarta-feira, o Banco Central - ao manter alta a taxa de juros básicos - deu mostras de que o governo vai (tentar) segurar a inflação através do instrumento de política monetária, que sabe manipular com maestria.

Ontem foi a vez da Fipe mostrar que novos aliados poderão figurar, ano que vem, no elenco da estabilidade aparente, expressa nos índices oficiais aferidores da inflação. Índices, aliás, de discutível abrangência.

Os novos aliados serão - acreditem - as tarifas públicas, responsáveis maiores pela inflação, desde os tempos remotos, quase sempre liderados pelos preços da Petrobras. As tarifas do governo, energia, por exemplo, exercerão pressões menores sobre os preços no ano que vem.

A notícia é a seguinte, conforme a Agência Estado: em 2002, os índices que medem a variação do custo de vida terão pressões muito menores de aumento de preços do que registraram este ano, em especial no que se refere às tarifas públicas, as vilãs da inflação em 2001. Com isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe deve ficar em torno de 4% no próximo ano, ante 7,1% previstos para 2001.

O alívio de praticamente três pontos porcentuais decorre da contribuição menor que itens de peso no cálculo da inflação como energia elétrica, combustíveis e transportes públicos terão na taxa do próximo ano.

Seguindo o mesmo raciocínio, os bancos também estão revendo suas estimativas para o IPCA, utilizado como taxa oficial de inflação pelo governo. As expectativas são bem mais animadoras e cabem na meta do FMI, de 3,5%.

É tempo de Papai Noel e você pode acreditar.

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