Medo do consumo?


Não precisava. Apesar da recessão em pleno período de festas de Natal e Ano Novo, o Banco Central fez prevalecer ontem sua postura conservadora ao manter as taxas de juros básicos em 18%, sem acenar para o comércio flexibilizar as suas taxas, infinitamente mais altas.

Se a preocupação dos membros do Conselho de Política Monetária (Copom) é evitar inflação de demanda, nada melhor do que uma avaliação da performance do varejo. As vendas, pelo menos até agora, estão sendo consideradas as mais baixas dos últimos anos.

A recessão não assumida do governo FHC não enseja qualquer descontrole do consumo. Por via das dúvidas o Copom adotou o cabresto curto, a saída contra a falta de imaginação.

As ruas e as grandes lojas de departamento apresentam grande movimento nos finais de semana, ''mas as pessoas não carregam pacotes substanciosos como antigamente; apenas lembrancinhas'', sugeriu ontem um comerciante local.

A julgar pela taxa de juros de longo prazo (TJLP), o novo ano também será de arrocho monetário. A política de Malan alterna atitudes defensivas em relação à variáveis externas (ataque especulativo) com atitudes defensivas com relação ao excesso de consumo interno, apesar do desemprego, do subemprego e dos preços em altas. O Plano Real quebrou a agricultura e agora ameaça o comércio.

Na última reunião do ano, o Conselho Monetário Nacional preferiu não mexeram na TJLP, apesar das mudanças nos fatores que compõem a taxa. Enquanto o risco Brasil no exterior caiu nos últimos meses, no cálculo da TJLP ele subiu, passando de 6,375% em setembro para 6,5%.

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