Sábado, Dia do Leitor

José D. Pitoli, de Cornélio Procópio: ''Efeito Bin Laden ou miopia?. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) acaba de divulgar seu último relatório do ano sobre a oferta e demanda mundial de soja. Mais uma vez nota-se uma evidente manipulação de dados no sentido de manter um volume de estoques aparentemente altos.

Desde o relatório de junho, nota-se uma certa tendência em equilibrar números de maneira que os estoques mundiais fiquem a um patamar de 29,0 milhões de toneladas.

A julgar, primeiramente, pelos problemas climáticos sofridos pelas lavouras norte-americanas nos meses de julho e agosto quando as cotações em Chicago atingiram os maiores níveis do ano, cerca de 20% de alta em relação a maio/01 e maio/02.

Depois, quando da fase pré-colheita (setembro), estas mesmas lavouras foram submetidas a intensas ondas de frio e alguns analistas norte-americanos previam que a safra nos EUA não ultrapassaria 74,5 milhões de toneladas. Que embora houvesse uma sensível redução na produção, o efetio de alta nos preços seria nulo em razão de uma queda mundial, motivada pelos atentados nos EUA em 11/9/01.

Estamos em dezembro/01 e a dança dos números ainda continua: o Usda divulgou em 6/12/01 os números de registro das exportações que mostram um crescimento de 21,7% nas exportações, sério indicativo de que a demanda mundial está bastante aquecida; também no Brasil os dados da Abiove indicam aquecimento na demanda por algo em torno de 20%.

No relatório divulgado no último dia 11, as mais nítidas evidências de jogo de números dá-se, quando da alteração de números de safras já consolidadas 99/00 e 00/01 no Brasil e Argentina, além de que aumentaria a projeção de safra 2001/02, para a Argentina em 750 mil toneladas. Todos sabemos das dificuldades econômicas do país vizinho, onde a maioria dos agricultores deverá plantar suas lavouras com o mínimo de tecnolgia, entendendo-se com menor produtividade.

No lado brasileiro, subestima-se a capacidade do país em exportar. É bom lembrar ou rever dados da Abiove sobre o esmagamento e exportações. Que os preços no mercado interno em setembro e outubro deste ano foram 30% acima da paridade das exportações. Que em outubro as exportações de farelo e óleo foram recordes no país, 1,5 milhão de toneladas. Que os estoques internos de passagem são estimados em apenas 600 mil toneladas ou 3 dias.

Diante disso tudo, é bom o lado do consumidor ficar atento que produção não se faz no papel nem aparece da noite para o dia. Para produzir é preciso chuva na época certa, boa adubação, controle de pragas, de ervas daninhas, boas condições de clima do plantio à colheita. Que uma safra de soja precisa de pelo menos 5 meses para estar pronta e que o melhor incentivo é o preço.

É bom ficar atento que o papel aceita tudo, que ainda é tempo de corrigir as distorções de dados de safra e estoques divulgados pelo Usda. E a manter esta tendência de consumo o ''colapso'' nos estoques e a explosão dos preços ocorrerá em 2004''.

Nota : José Donizeti Pitoli é economista, comerciante no ramo de creais em Cornélio Procópio, sócio-gerente da empresa Pitoli & Villela Ltda.

Arnaldo C. do Amaral Filho, de Londrina: ''Participando do dia de campo organizado pelo deputado federal Abelardo Lupion, na última quinta-feira, tive a grata satisfação de conhecer pessoalmente o presidente da APAC, Ricardo Strenger, cujas idéias e comentários tenho acompanhado através desta coluna. Idéias que, de forma inteligente e transparente, refletem a problemática da cafeicultura nacional com relação a preços e mercados, e de todos que atuam na agropecuária em nível de Paraná e Brasil. Encargos sociais, taxa de juros, produtividade, qualidade do produto, margem de comercialização, rentabilidade da atividade, agregação de valor, rastreabilidade, meio ambiente, mercados, etc.

''Pois bem, o Sr. Ricardo associou-se com os empresários Hilton Hintz e Marcos Fassoli e lançou o Verocafé, o verdadeiro café, procurando um caminho para a comercialização de suas produções.

Mostrando a diferença da qualidade, querem propor um novo conceito ao consumidor. Verocafé é diferente, é puro, é melhor.

Quero deixar aqui registrado meu apreço e admiração aos três empresários rurais, que passaram do discurso à prática, e que eles sirvam de referência, pois assimilaram um conceito. O produto pode ser boi gordo, milho, soja, algodão, qualquer um..., mas o negócio é transformar commodity em marca.

Também quero parabenizar o deputado Lupion e sua equipe pela organização e pela forma que receberam a todos os visitantes. A chuva tornou-se apenas um detalhe menor''.

Nota : Arnaldo Coelho do Amaral Filho é agropecuarista e diretor da Verde Rural Corretora de Seguros.

Wilson Hort, de Londrina: ''Sugerimos aos supermercados que mantenham os produtos de fabricação artesanal em locais apropriados, com temperaturas de 10 graus para baixos, no caso dos queijos. O resfriamento é fundamental para permanência dos fatores de sanidade e qualidade. Os nossos queijos artesanais são produzidos sem conservantes, sem química e, portanto, requerem um local mais adequado, como geladeiras com visor, por exemplo. Hoje a maioria dos supermercados apresenta os nossos produtos ao lado dos produtos fabricados através de métodos convencionais, em gôndolas expostas. Não é o ideal. Diferentemente dos pré-cozidos, os artesanis precisam de um local mais frio. Esse tratamento, além de tecnicamente correto, seria uma forma de distinguir o consumidor desses produtos, geralmente mais exigente e apreciador de qualidades''.

Nota: Wilson Hort e produtor de queijo tipo alemão e outros produtos da linha artesanal.

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