Adeus à reforma


Por desinteresse, incompetência ou acordo político, o governo FHC termina, ano que vem, sem a reforma fiscal, tão esperada pelo setor produtivo. Pequenos, médios e grandes empresários já não alimentavam esperanças desde meados deste ano, afinal foram muitas as oportunidades perdidas.

Para a Federação das Indústrias (Fiesp), que lidera em âmbito nacional as aspirações do setor empresarial, é melhor agarrar as chances que ainda restam de uma reforma ''meia-boca''. Agora a entidade diz que lutará pela aprovação de uma minirreforma tributária até abril.

Em exercício de ''mea culpa'' a Fiesp e tantas outras representatividades do setor, devem reconhecer sua impotência e timidez. Se ao governo faltou vontade política, à iniciativa privada faltou coragem de lutar. Seu poder de pressão no episódio foi zero.

A intenção dessa minirreforma é eliminar os impostos em cascata, como o PIS, a Cofins e a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Essa é a primeira vez que a Fiesp concorda com uma reforma que não seja ampla, diz a Agência Estado.

O presidente da entidade, Horácio Lafer Piva, jogou a toalha: disse ontem que lutará para aprovar uma reforma maior mas no próximo governo.

A minirreforma é um consolo: a desoneração do setor produtivo seria um incentivo às exportações. A FGV fez um estudo para a Fiesp que mostra que só a CPMF e o PIS/Cofins oneram a produção em 9%.

mockup