Oswaldo Petrin
...''Cada um dos 1,2 bilhão de chineses tomando uma xícara de café todos os dias...''
A China na OMC
Hoje, 11/12 é uma data histórica para o mercado mundial. A China entra oficialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC). A aprovação vinha sendo dada como certa desde meados do ano mas a China vinha tentando há cerca de 15 anos, período em que as negociações foram interrompidas por guerras frias e conflitos mundiais.
Agora são 143 os países da OMC. Exportadores brasileiros, argentinos e norte-americanos esfregam as mãos de olho nas chances de negociar com Pequim e vender para 1,2 bilhão de (potenciais) consumidores.
Repetindo aqui a frase de um conhecido industrial de café solúvel, que conjectura nos anos 70: ''Já pensou se cada chinês vir a tomar uma xícara de café?''.
Mas a China não entra no grupo só para comprar. Conservadores, os chineses são muito ciosos do seu mercado. Quem quiser negociar com a China tem que ter muito cuidado com o dumping, dizem os especialistas no assunto.
''Alguns setores no Brasil, como o de calçados e têxteis, já começaram a se movimentar para saber de que forma poderiam se proteger contra as exportações chinesas'', apurou a Agência Estado, ontem.
Há espaço para sonhar e vender mais. Porém, tudo o que se conjecturar sobre o comércio Brasil e China tem que levar ser no condicional. O comércio entre os dois países é pequeno, cerca de US$ 2,5 bilhões no ano passado, segundo a AE ontem (ver matéria neste caderno de Economia). No entanto, com o ingresso de Pequim na OMC e com as frequente missões empresariais entre os dois países, tudo indica que as trocas podem duplicar nos próximos anos.
Uma coisa é certa: a China é um exportador que está permanentemente sujeito à esbarrar nos novos conceitos de sustentabilidade e outras questões ambientais. Tende a esbarrar principalmente no conceito produtivo ''social e políticamente correto'', em que os compradores levam em conta a condição dos trabalhadores que atuam na produção e industrialização do produto que importam.





