Maturidade dos shoppings


Para quem já ofereceu até helicóptero como prêmio, as promoções de Natal nos shoppings, este ano, sugerem recessão ou falta de ousadia no marketing. Mas isto são apenas questões conjunturais. Na verdade, o setor sofre de ''males da rotina'' que podem torná-lo anacrônico. A concorrência e a necessidade de contrapor a recessão macroeconômica descaracterizaram os shoppings tirando-lhes o charme próprio de centro de compras e lazer.

O consumidor ainda se deslumbra com o cenário do ''templo do consumo''. Mas parece querer algo mais que segurança e promoções. Esta leitura pode levar a um novo tempo - de readequações. E o próximo ano deve marcar o início de uma série de mudanças no varejo dos shoppings.

Descontrole de custos, excesso de lojas do mesmo segmento e até degradação dos serviços são apontados como fatores de desgastes dos shoppings. A garantia de uma boa infra-estrutura e organização, valorizadas por uma administração arrojada, justificam o custo condominial um pouco mais elevado.

A excessiva rotatividade de lojas é indicativo de que a gestão do setor não vai bem. Ou que a crise do ambiente externo é mais forte.

Os shoppings são uma indústria forte. São cerca de 500 empreendimentos que respondem por 26% do faturamento total do varejo, segundo dados da Intermart/Austin, empresa de consultoria do setor. É dela também o seguinte diagnóstico:

''A elevação do número de shoppings nos grandes centros trouxe benefícios e facilidades aos consumidores, além de valorização imobiliária a certas regiões, mas também está promovendo mudanças no cenário varejista. A sucessão de lançamentos (24 inaugurações em 2000 e 103 estréias previstas até 2002) ampliou a oferta de espaços e também a rotatividade de lojas dentro destes estabelecimentos: o índice, que até dois anos atrás flutuava entre 5% e 7%, hoje chega a cerca de 15%. Empreendimentos consolidados e bem localizados asseguram a diversificação do mix sem sacrifícios, enquanto outros amargaram dificuldades como o aumento de vacância.''

Para o consultor Marcos Romiti, da Intermart/Austin, especialista em varejo de shoppings, além de uma gestão eficiente, que ofereça aos lojistas a melhor relação custo/benefício, outra medida fundamental para evitar a rotatividade é a adequação do conjunto de lojas e serviços.

Romiti tem algumas sugestões, que ficam para outra oportunidade.

mockup