Oswaldo Petrin
Dolarização argentina
Como está, a partir das medidas de emergência (mais ou menos) conhecidas, o mercado entre Brasil e Argentina não interessa ao Brasil, como não deve interessar a outros países do Mercosul. A dolarização, porém, inviabilizaria as relações enquanto bloco. Mas não chega a ser o caos.
Análise mais realista até agora quem fez foi o pessoal da Fundação Getúlio Vargas, semana passada e, ontem, o ex-ministro da Economia da Argentina, Roberto Alemann, disse ontem à Agência Estado que, apesar de as medidas terem sido divulgadas como transitórias, pelo menos a que diz respeito à dolarização total do sistema financeiro será permanente.
Essa medida define taxas iguais para depósitos e créditos em dólar e peso e, de acordo com Alemann, é ''virtualmente a dolarização total do sistema financeiro, antes de 80% a 90%'', explicou. O economista, que participou do seminário ''Argentina: perspectivas políticas e econômicas'' na Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que a medida é importante para a estabilidade cambial argentina.
Por outro lado, ele atacou a proibição de remessas ao exterior, também definida no fim de semana, que considerou ''grave'', apesar de transitória. ''Isso nos joga 10 anos atrás, porque a Argentina estava totalmente integrada no mundo financeiro globalizado e agora estamos fora outra vez'', criticou.
Segundo Alleman, desde o início do ano saíram US$ 17 bilhões da Argentina, que dificilmente voltarão ao país com as novas regras. Para ele, isso prejudicará ainda mais a retomada do crescimento da economia argentina, que em consequência da medida estaria ''condenada a não crescer''.
A possibilidade de as medidas argentinas abalarem as relações comerciais do país com o Brasil foi afastada por Alemann e pelo ex-subsecretário para o Mercosul da Argentina, Félix PeÀa, que também participou do seminário. O argumento de ambos é que o limite de remessas ao exterior não inclui as operações voltadas para o comércio externo.
PeÀa foi mais além e disse que sequer o turismo de argentinos no Brasil será prejudicado. ''Cada turista pode sacar US$ 1 mil por mês e usar cartões de crédito'', disse.





