Oswaldo Petrin
Arrocho monetário
No mesmo dia em que a balança comercial sinaliza pender para o lado do superávit - puxada pelo bom desempenho do agronegócio. Em que a melhora da taxa de câmbio sugere redução dos riscos de ataques externos. Em que até a sisuda União Européia dá sinais de que pode flexibilizar sua política protecionista...
Enfim, num momento em que tantos indicadores deixam entrever uma situação mais confortável no próximo ano, vêm a informação de que o arrocho monetário do governo continua ano que vem. A política tímida e acanhada do governo continuará assim mesmo, medíocre, com medo da inflação.
A decisão? Está expressa nos desígnios do Comitê de Política Monetária, o Copom, que ontem divulgou seu prognóstico, embutido no documento que os técnicos chamam de ata da última reunião que fixou a taxa de juros básicos em 19%.
Com todas as letras: os juros permanecerão elevados para conter a demanda e evitar que pressões sobre os preços livres da economia coloquem em risco a meta de inflação de 3,5% do próximo ano.
Só o governo pode flexibilizar. Com tarifaços de energia elétrica e outras taxas públicas. Agora vem com essa balela de possível redução dos combustíveis ano que vem, uma exceção rara num universo de reajustes. Acredite quem quiser. Segundo o Copom, os preços administrados em conjunto terão alta de 5,8% no ano que vem. Com isso, eles serão responsáveis, isoladamente, por um impacto de no mínimo 1,8% na inflação, mais da metade da meta prevista.
Até a UE muda: o chefe da delegação da União Européia no Brasil, Rolf Timans, disse que pode haver flexibilização da Política Agrícola Comum (PAC) da UE em relação aos subsídios agrícolas em alguns setores no período entre 2003 a 2006. ''Ao contrário do que todos pensam, a Europa não é uma fortaleza intransponível do protecionismo'', afirmou.





