Amauri F. Souza, de Paranavaí: ''Há alguns dias, na enxurrada de informações sobre bioterrorismo no mundo e sobre as cartas mortíferas contendo ''antraz'', a imprensa acabou por divulgar informações que sugeriam que a bactéria existe e está instalada no Brasil, através do carbúnculo. Quanto à associação com o carbúnculo, tudo bem, é o próprio, aliás. Mas, daí a colocar que a doença ''está instalada'' no gado, como cheguei a ler num jornal de São Paulo, não é correto e revela desconhecimento do assunto.
Na verdade, trata-se do Bacillus anthracis. E é o mesmo das cartas. Mas, a possibilidade de contágio do Bacillus anthracis - a bactéria que apavorou a Casa Branca - a partir do consumo da carne bovina é totalmente absurda e não existe. Não sou especialista no assunto, mas, qualquer pessoa bem-informada vai dizer que, fora das cartas, as informações sobre contágio não passam de sensacionalismo.
Agora, se é para falar do carbúnculo, será melhor acrescentar o seguinte: a doença já esteve disseminada no rebanho brasileiro, mas isto ocorreu muitos anos atrás. Praticamente não existe mais. Na hipótese, absurda, quase impossível, de aparecer uma carne contaminada com o Baciullus anthracis, quem (conseguir) comer não será contaminado, porque a bactéria morre ao primeiro cozimento. Estou usando a sua coluna para esclarecer. Antes que criem mais uma mentira para depreciar a nossa carne bovina, como fizeram com o mal da vaca louca''.
Nota: O parecer de um especialista, no caso o professor Pedro Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, não deixa dúvida: ''Além de o carbúnculo hemático, a doença causada pela bactéria, ser extremamente rara no Brasil (nos últimos cinco anos apenas 31 focos foram registrados no País), os bovinos eventualmente infectados morrem tão rapidamente que não haveria tempo para serem levados aos frigoríficos''. Mesmo na improvável hipótese de comercialização da carne contaminada (que apresenta péssimo aspecto e odor extremamente desagradável), a possibilidade de infecção é nula, porque se o produto for cozido, assado ou frito, a bactéria morre. Mais informações sobre este assunto poderão ser obtidas junto ao SIC - Serviço de Informação da Carne Bovina, pelo telefone 11-3872-1376, com Andréa Veríssimo.
Ricardo R. Carneiro, de Bandeirantes: ''Gostaria que a Folha voltasse a publicar a cotação do Deral-parte agrícola. Favor verificar a possibilidade. As cotações são o nosso referencial para poder chegar no mercado e questionar os preços. Os comentários são importantes e sabemos que os preços estão embutidos nessas análises, mas, nos quadros, os preços são mais fáceis de serem visualizados''.
Nota: Ricardo Ribeiro Carneiro é médico-veterinário e produtor no Norte Pioneiro.
Bernardo V. Bendrat Vanttier, de Pato Branco: ''Tenho acompanhado pelo seu jornal as notícias sobre mercado de suínos. Às vezes discordo com certas declarações de que o produtor está ganhando muito dinheiro. Mas de momento prefiro que se publique todos os dias as cotações, de preferência os quadros com as médias.
Eronkey M. Domingos, de Floresta: ''Solicito que volte a ser publicado o índice agropecuária na folha de agribusiness, por ser de utilidade para os técnicos e agricultores''.
Nota: Eroncley Mário Domingos é técnico da Cooperativa de Crédito Rural de Maringá no município de Floresta.
Raul F. Távora, de Londrina: ''A Folha deve voltar a publicar as cotações agrícolas. As análises são necessárias mas as cotações valem como documento. Tenho contrato de arrendamento de pasto constando que o ''índice usado como fator de pagamento é o preço da arroba do último dia útil do mês publicado na Folha de Londrina''.
Nota: Raul Fernando Távora é produtor rural com escritório em Londrina. Ele e dezenas de técnicos e produtores de várias regiões, como o médico-veterinário Ricardo Carneiro, querem a volta das cotações agrícolas. A Folha estuda o retorno desse serviço, mais enxuto e eficiente.
Pedro Branco, de Londrina: ''A campanha política se aproxima e o melhor que o governo faz é dar uma folga para a agricultura, desta vez, e usar outras âncoras. Do contrário, vamos ouvir falar em superprodução, em alimentos baratos. Ao que tudo indica, ano que vem, o mote deve ser a safra de 100 milhões de toneladas. O que o governo não fala é que o Brasil exporta impostos e improta subsídios. Que para produzir, o agricultor tem que fazer um enorme esforço e, mesmo assim, fecha sua contabilidade no vermelho - uma contradição para as pessoas da cidade que ouviram falar de supersafras e financiamentos com juros diferenciados. (O crédito rural é outras história mal contada).
Safras recordes não são impossíveis. Difícil é avançar com essa carga tributária. Sem aumentar a área, podemos ter ganhos de 15% a 20%. Basta que o governo retire os impostos em cascatas sobre as máquinas agrícolas, por exemplo; ou sobre os insumos - sementes, fertilizantes e defensivos.
Se a safra 2001/02 pode chegar a 100 milhões com a atual sangria tributária; com menos impostos facilmente chegaremos aos 150 milhões. Este salto pode ocorrer em quatro meses; não são quatro anos. Basta retirar 50% dos impostos sobre máquinas e implementos. Equipamentos novos, sem problema de regulagem reduzem as perdas - tanto no plantio como na colheita. Melhor distribuição e ocupação dos recursos resulta em aumento do volume e da qualidade.
O trator empregado para produzir comida custa caro porque o agricultor, ao adquiri-lo, está recolhendo duas vezes o imposto sobre a tinta e maioria das peças.
Ninguém quer favores, isenções. Quer justiça fiscal. O governo é míope. Se ele reduzir a carga tributária a arrecadação não cai, porque vai faturar no volume (de tratores vendidos, de fertilizantes usados na quantia certa, etc) e vai gerar riqueza no campo e na cidade - através das indústrias - sem reduzir sua arrecadação.
Nota: Pedro Branco é proprietário em Santa Izabel do Ivaí e diretor da Sociedade Rural do Paraná.

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