Oswaldo Petrin
-Empresário do setor moageiro de trigo contou a seguinte estória em recente reunião do CADE: Acordei angustiado, fui ao analista e cheguei à conclusão que a minha crise era uma incontida saudade do CIP (Conselho Interministerial de Preços). No tempo do CIP, quando a gente sentia algum tipo de dificuldade na empresa, ia correndo ao CIP e conseguia um aumento nos preços. Hoje não temos CIP e quem dá as cartas são os consumidores. Eles costumam ser implacáveis.
-O presidente da Abitrigo, Antenor Barros Leal, relatou a brincadeira a esta coluna, ontem, para ilustrar a grande transformação que ocorre na economia. Um processo depurativo sem igual nos últimos 40 anos. Na sua análise, Antenor Barros Leal previu que dentro de 5 anos o Brasil terá apenas 12 indústrias moageiras de trigo. Uma mudança brutal se se considerar que hoje existem 40 grandes indústrias e mais 150 moinhos menores, antigamente chamados de moinhos coloniais.
-Isto já está ocorrendo com a soja e vai acontecer rapidinho com o milho. Não haveria por que deixar de acontecer com o trigo. E qual a consequência dessa concentração? Para o mercado, a rigor, nenhuma, segundo o presidente da Abitrigo. E nem se questiona a consequência porque o processo é consumado. Algumas décadas atrás havia 68 fábricas de cerveja nacionais; hoje são basicamente quatro, duas das quais detêm quase 90% do mercado. É uma questão de concorrência.
-O Brasil é outro País, na avaliação que o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Antenor Barros Leal, faz das mudanças na economia. O consumidor está recebendo mais qualidade e menor preço. As indústrias nacionais estão se mexendo e exigem a mesma postura de toda a cadeia, a começar da matéria-prima. No caso dos alimentos vegetais, a cabeça do agricultor está mudando muito. Aproveitou para reconhecer a mudança espetacular na qualidade do grão de trigo.
-Hoje se produz no Paraná um grão (soft) tão bom quanto o melhor trigo importado da mesma categoria. E garantiu: o Brasil pode produzir até 15 milhões de toneladas de trigo. O salto de qualidade foi dado, agora falta incentivar a quantidade. Segundo Barros, o mercado foi a determinante para este avanço. Neste contexto o que o governo tem a fazer é dar crédito à produção e salvar as instituições de pesquisa.
-Até o final do ano o Brasil completa a importação de 5 milhões de t de trigo. O consumo deste ano passa para 8 milhões de toneladas. Este ano também estão entrando 400 mil t de farinha da Argentina. Nem a China, EUA, Canadá ou Argentina têm fronteira para aumentar a produção. Mas o Brasil tem e pode fazer isto. Vai ter que fazer. O jogo





