Oswaldo Petrin
Juros defensivos
O comércio já não alimentava qualquer esperança de ver as taxas de juros cederem. Não por obra do Banco Central, pelo menos.
A redução dos juros nos Estados Unidos e o recuo no dólar norte-americano nos últimos dias não são suficientes para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduza a taxa de juros básicos na sua reunião de hoje.
O mercado de commodities agrícolas vem sinalizando a manutenção dos juros atuais há vários dias.
O Copom não transige mesmo, quando qualquer mudança na política monetária coloque em risco a ''estabilidade'' econômica via aumento da demanda que eleva preços, que transparece nos acompanhamentos semanais e mensais dos indicadores da inflação. Afinal qual é a prioridade; a prioridade é com o cumprimento das metas de inflação.
Por outro lado, a maioria dos analistas acredita que o Comitê vai anunciar hoje a manutenção da taxa Selic em 19% ao ano, principalmente por causa das pressões sobre a inflação. Além disso, a persistência de alguns riscos no cenário externo - como uma eventual piora mais acentuada da crise da Argentina e as incertezas quanto à recuperação americana - também deve impedir uma queda dos juros. Essa é a opinião predominante no mercado - conform as agências de notícias, mas alguns poucos economistas entendem que há espaço para um corte de meio ponto porcentual da Selic, pois o dólar e o preço do petróleo recuaram com força nas últimas semanas, melhorando as perspectivas para a inflação.
Para conforto do governo, os indicadores imediatos sinalizam com aumento da demanda agregada neste final de ano. Mas não dão a real dimensão da recessão que está por vir no primeiro trimestre do ano. O milagre do deslocamento do consumo - para gastos menores - acaba no primeiro dia útil de janeiro.
As projeções são de que a inflação deve ficar entre 5% e 5,5% no ano que vem, quando a meta do governo é de 3,5% -com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.





