Oswaldo Petrin
Saque à biodiversidade
As Veias Abertas da América Latina, de que falava Eduardo Galiano, expressariam hoje o sentido figurado de um outro saque que governos - como o do Brasil - permitem que ocorra, quer pela omissão ou pela inoperância dos seus órgãos fiscalizadores.
Trata-se da sangria à biodiversidade, há tanto tempo comentada e jamais estancada. O mínimo que se espera de um evento tão importante como o 3º Simpósio de Recursos Genéticos para a América Latina e Caribe - aberto ontem, em Londrina - é que a comunidade científica tome uma posição firme com relação à pirataria.
A conferência magna ''Recursos Genéticos: Conservar para a Vida'', expressa o sentimento dos que se esforçam para que o Simpósio seja um divisor de águas nessa erosão genética dos reinos animal, vegetal e microorganismos. Afinal, não é todo dia que se consegue reunir estudiosos para tratar de assunto tão polêmico que mexe, a um só tempo, com objetivos científicos e sentimentos, digamos, patrióticos.
O pragmatismo do temário, essencialmente técnico - e nem poderia ser diferente - não dissimula a preocupação que permeia o evento como um todo. Talvez uma posição firme coloque em xeque a fragilidade de medidas provisórias (MP) que nem de longe respaldam as (poucas) iniciativas de ser pôr ordem na casa.
Dezenas de exemplos dessa dilapidação poderiam ser citados: do ciclo da borracha à caça - que perdura - ao inofensivo sapo tricolor, capturado na origem porque sua pele fornece substâncias anestésicas extraídas por conhecido laboratório norte-americano.
A propósito, um dos temas do Simpósio vai na veia da controvérsia: a 2 palestra de hoje pode aferir o tom e clima do evento: ''Acesso aos recursos genéticos: necessidade de uma legislação nacional'', pela coordenação do Meio Ambiente do Senado.





