Avanços na OMC

A reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Doha/Qatar, 142 países, encerrada ontem, não avançou como se esperava; também não terminou em pizza e, para a felicidade geral, esteve longe de repetir o fiasco de Seattle, dois anos atrás. Nunca o agronegócio teve um peso tão importante na pauta. E, ao mesmo tempo, nunca as posições contra o protecionismo foram tão acentuadas.

De positivo, o encontro acertou uma nova rodada de negociações multilaterais. O calendário para discussões é vasto e vai até janeiro de 2005. A exemplo do que aconteceu esta semana, a pauta até lá tem como objetivo reduzir as barreiras comerciais. Esta é a notícia, boa notícia.

Nenhuma das agências noticiosas que cobriram o evento, deu como fracassadas as negociações. Um dos pontos que não entraram na declaração final foi a relação entre normas de trabalho e comércio. Esse tema foi bloqueado pelo países menos desenvolvidos, que acreditam que esse tema é uma forma disfarçada de protecionismo dos países ricos.

É sugestivo o fato de além de conseguir lançar uma nova rodada, a conferência também ficou marcada pela entrada na OMC da China e Taiwan. Esses países praticam um tipo de protecionismo cujo questionamento aumenta na UE: sua mão- de-obras baratíssima.

No caso específico do Brasil a leitura que se faz é divergente. Todos concordam, porém, que não seria desta vez que se daria um golpe ao protecionismo europeu ou norte-americano, em se tratando de produtos agrícolas. Mas o Brasil cresceu no contexto. Tomando como parâmetro o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), um país ''emergente'', nunca teve sua tese tão - digamos - considerada.

E daí? Dai que isto significa que a equação subsídios (por parte dos países desenvolvidos) está mais próxima e a agricultura pode comemorar.

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