Abastecimento ameaçado


As chuvas desta semana acalmaram as especulações em torno das perdas nas lavouras de milho, plantadas 40 dias atrás e prejudicadas pela estiagem de outubro. Apenas acalmaram. Mas um simples atraso na colheita vai retardar a oferta no primeiro trimestre do ano dando margem a especulação e alta espetacular de preços. Até porque a escassez é real e o Brasil vai, com certeza, enfrentar sérios problemas de abasteciemento - como alertaram dias atrás, lideranças da suinocultura do Sudoeste do Estado.

Ontem o mercado deu os primeiros sinais de que vai reagir à falta do produto. Nem o recuo no dólar comercial em 1,13% (R$ 2,5220) - que reflete sobre o mercado do milho depois que o produto passou a ser exportado -, esfriou o mercado. Veja seção commodities, nesta página.

Vale repetir, a propósito, o depoimento de um paranaense, ontem à Agência Folha: o plantio do milho no Norte do Paraná está com queda de 40%, o que pode diminuir a oferta do produto no futuro, segundo análise do cerealista José Pitoli, de Cornélio Procópio. Em todo o Estado, a queda no plantio do milho está em torno de 35%. As chuvas escassas no norte do Estado também irão comprometer a oferta do produto, já que atrasarão a colheita da safrinha de milho.

Fiasco na OMC Na véspera de decisão mais importante na reunião da OMC, a tendência segunda-feira era a seguinte: ou tudo se transforma em fiasco, ou teremos uma decisão inusitada, a melhor de todas para países exportadores de produtos primários como o Brasil. Historicamente seria um grande avanço. Mas, infelizmente vai dar a primeira hipótese.

A julgar pelas notícias de ontem à noite (veja na 1 página deste caderno) Doha/Catar, não foi diferente de Seatle e tantas outras. Nem tudo está perdido, mas os países europeus não transigem com relação a uma rodada global de negociações. A dificuldade mesmo está na negociação dos subsídios. Até as questões ambientais eram factíveis.

O Brasil vai ter que ganhar o mercado internacional no peito, na raça e principalmente revisando conceitos de qualidade, produtividade e marketing. Só que a soma de tudo isto não conseguirá contrapor o custo Brasil, expresso numa série de distorções, inclusive na infra-estrutura portuária.

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