Oswaldo Petrin
Recessão poupa a comida
Retração no consumo de alimentos?
Não há retração no consumo. Não para o segmento avícola, pelo menos. O gerente comercial de uma cooperativa paranaense, que opera no segmento, disse ontem que em outubro os preços dos cortes nobres de frango foram reajustados em média 10% (12% no preço do ''mix'') e o mercado absorveu o novo preço sem parcimônia.
O mesmo executivo participou terça-feira de reunião da Abef (representa as indústrias exportadoras de frango) que discutiu planos para 2002. Conclusão: há consenso de que o mercado externo continuará crescendo para a avicultura brasileira e outros tipos de carnes. Dias atrás, frigoríficos exportadores haviam formulado prognóstico igualmente otimista para a carne bovina.
Na reunião, a Abef recomendou discrição na divulgação desse prognóstico, alegando que a expansão do mercado brasileiro tem sido motivo de apreensão dos concorrentes (?).
Voltando ao recente aumento de preços e o comportamento do consumidor: os dados não são conclusivos, mas o gerente comercial da cooperativa, não se surpreende se o levantamento apontar aumento no consumo interno em outubro, apesar do reajuste.
Isto leva a inferir o seguinte: como os salários estão defasados e o desemprego é assustador, essas bolhas de consumo devem ser creditadas ao deslocamento do consumo. Assim, para que haja mais demanda de alimentos é necessário que aconteçam quedas no consumo de outros bens como os duráveis ou semiduráveis. Algo que se expressa no adiamento da reforma da casa, na suspensão da troca de apartamento ou carro, em favor de viagens mais longas e mesas mais fartas.
Não alimentemos ilusões, portanto.
Outro dirigente comercial, Hélio Schorr, da Copacol/Cafelândia, também aposta no aumento do consumo interno neste final de ano.
Mas a indústria de derivados animais está mesmo é comemorando as exportações - um aumento médio de 30% na somatória de todas as peças e frango inteiro que converte US$ 1,2 bilhão (US$ 800 mil ano passado).
Isto justifica uma mudança de postura das indústrias paranaenses neste segundo semestre. Seus técnicos passaram maior parte do tempo estudando lançamento de produtos para o mercado internacional, segundo Schorr. Afinal, o mercado interno vai muito bem.
Foi um ano e tanto. O agribusiness nunca esteve tão bem além das fronteiras - malgrada a queda (acomodação) do dólar nos últimos dias.
As estatísticas mais recentes continuam dando conta disso. Por exemplo: as exportações do agronegócio alcançaram US$ 2,192 bilhões no mês de outubro contra US$ 410 milhões registrados nas importações realizadas no mesmo mês.
O superávit de US$ 1,782 bilhão o desempenho do setor neste ano. As exportações do agronegócio tiveram uma participação de 43,81% no total das vendas externas do País feitas em outubro, que foram de US$ 5,003 bilhões.





