Oswaldo Petrin
Ricardo G. Strengerde S. A. da Platina: ''Importante posição está tomando a OIC. Numa clara preocupação com a situação crítica da cafeicultura mundial, se mostra preocupada com a qualidade do café. Um dos focos é a umidade, numa clara evidência em barrar o café Robusta da Ásia e África.
Gradualmente, os líderes da cafeicultura estão se preocupando com os consumidores, a maneira mais inteligente de mudar-se esta caótica situação.
Infantil seria pensar que toda a cadeia café está tendo prejuízo. Apenas perdem o produtor e o consumidor.
O consumidor está enganado sob todos os aspectos, a qualidade é inadequada e os preços são incompatíveis com os valores pagos ao produtor.
A qualidade do café produzido é excepcional e isto foi alcançado graças a uma mudança cultural do produtor, que soube se adequar aos novos tempos. A mudança cultural também tem que atingir o consumidor.
Temos que ser firmes para colocarmos novas idéias e rompermos o desprezo de algumas indústrias para com o consumidor, iludindo-o com palavras bonitas. Vivemos um momento perverso de preço e mesmo assim a indústria vende produtos de baixa qualidade.
Lançamos em março deste ano um projeto de rotulação de café com o intuito de identificar a quantidade de café Arábica e Robusta contidos na embalagem do café torrado e moído. Nos últimos dias líderes da cafeicultura brasileira apoiarem este projeto.
o Exagero de mistura de café robusta derruba a qualidade e o consumo. O aumento de produção de café robusta está baseado no sentido de disseminar a miséria, pois essencialmente os Asiáticos, recebem salários ínfimos, quase uma escravidão.
Nós brasileiros produzimos um café politicamente correto, sem contrapartida.
Chegamos ao absurdo total quando lemos na revista ''Veja'' do dia 10/outubro, o seguinte: ''O Senado Americano ratificou o acordo de livre comércio com o Vietnã. Com isso, as tarifas pagas pelos produtos Vietnamitas que entram nos Estados Unidos caem de 40% para 4%, em media. Segundo o Banco Mundial, este acordo poderá dobrar o faturamento do Vietnã com exportações. O notável é que ninguém falou em direitos humanos, quesito que até agora emperrava os acertos.
Portanto, o prêmio pertence aos piores, sob todos os aspectos, a pretexto de salvaguardas institucionais. A miséria está se alastrando nas regiões cafeeiras, a América Central já está em situação calamitosa e um novo Afeganistão pode estar se formando. O maior caldo de revolta é a miséria, ninguém vive isoladamente, é necessário distribuir a renda.
A rotulação não é a salvação absoluta da cafeicultura, mas certamente é o primeiro e mais importante passo para implementação de ações que darão sustentabilidade à lavoura.
Com satisfação temos a informar que a metodologia para separar o café Arábica e o café Robusta está absolutamente pronta, com isso o selo da qualidade será realidade. Salientamos que a rotulação é a rastreabilidade do produto.
Não esmorecemos em nossas ações na Justiça Federal. As empresas FNP e Unicafé continuam interpeladas e nos próximos dias entraremos com ações subsequentes.
O objetivo é moralizar e gerar números confiáveis vindos de quem está abalizado. As empresas acionadas e a USDA deveriam explicar a absurda diferença de suas pesquisas, pois ao findar-se atual safra, a realidade é bem diferente das apregoadas por estas instituições.
O prejuízo já foi causado, mas confiamos que o dano será reparado e, no futuro, estas pesquisas sejam sérias.
Novos perigos se aproximam como a nova proposta de se estabelecer ''clusters'', que não mais são do que integração, o que já ocorre com o frango, tornando o produtor um assalariado sem direitos.
Não podemos deixar de debater a idéia de se retirar o café das bolsas, evitando que esse seja tratado como commodity única. Na ultima reunião da OIC já houve sinais neste sentido. Hoje os valores negociados em bolsa são pequenos, devido a absurda queda nos preços. Não seria o prosseguimento destas baixas um sinal para a fácil quase autodissolução das bolsas de café ?
A diplomacia brasileira deveria estar atenta para o que acontece no mundo agrícola e informar os produtores, como fazem os americanos. O Itamaraty é ausente. Exemplo: café do Vietnã, impossibilitando de se tomar medidas antecipadas e assim evitar prejuízos.
No Primeiro Mundo a produção agrícola é encarada como segurança nacional. No Brasil, nossos governantes sempre jogaram a população contra os produtores. com conotações pejorativas.
Não podemos assistir a subsídios externos e ficarmos imobilizados. O Primeiro Mundo jamais abrirá mão da segurança e bem estar de sua cadeia produtiva. Temos é que imitá-lo e defender o produtor brasileiro, para que possamos competir em iguais condições.
Neste momento crucial do mercado, o governo e a sociedade têm que ser claros e nos indicar se paramos ou continuamos. Sim ou não ?
Nota : Ricardo Gonçalves Strenger, produtor e médico, é presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac).





