Oswaldo Petrin
Um exercício de futurologia de fazer inveja a Herman Kann, está projetando a safra brasileira de grãos oleaginosos em 100 milhões de toneladas, número intermediário entre um mínimo de 99 milhões e um máximo de algo em torno de 102 milhões. De qualquer forma, a se confirmar a projeção, um aumento de 2,2 milhões sobre os 98,1 milhões da última safra, um crescimento apenas normal, para não dizer modesto (ver matéria nesta página).
O problema não está na projeção feita em cima de dados como compra de sementes e insumos, embora estatísticas no Brasil sempre falseiam a realidade. A dificuldade é fixar uma a quando a maior parte da área não foi semeada. E saber que para chegar ao número previsto, são muitas as variáveis imponderáveis, a começar do clima.
O jeito é torcer para que os números se confirmem, porque assim todos saem ganhando.
Enquanto isso, o presidente FHC comemora (no seu programa de rádio, ontem) o aumento das exportações de carne. Segundo ele, de janeiro a setembro a venda de carnes brasileiras para outros países cresceu 59% em relação ao mesmo período do ano passado. Este ano, as exportações do produto devem chegar a US$ 2,65 bilhões.
O ufanismo do governo é algo extraordinário. Fala como se tivesse sido ele próprio quem plantou a soja e criou ou engordou bois. Convenhamos que alguns setores da agricultura não têm do que se queixar este ano, a despeito dos baixos preços internacionais, compensados pela circunstancial puxada do dólar. E que o ministro Pratini foi eficiente (e teve sorte) na política de exportação.
Sobre exportação, o Brasil poderia exportar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões a mais em produtos agrícolas, num prazo de seis anos, se conseguisse acabar com as barreiras tarifárias e fitossanitárias praticadas contra os produtos brasileiros nos mercados de Estados Unidos, União Européia e Japão, por exemplo.
A estimativa é da Sociedade Rural Brasileira e foi apresentada ontem durante debate sobre ''Riscos e oportunidades: os novos desafios da economia global e a Alca'', promovido pela Agência Estado e jornal O Estado de São Paulo.
Barreiras sanitárias são o novo nome das barreiras alfandegárias impostas pelos países desenvolvidos. Como o cinismo nem sempre encontra crivo na OMC, o jeito é não dar motivo para aplicação do artifício. Uma das formas é manter o rigor no controle de doenças como aftosa. Vacinação nela.





