Oswaldo Petrin
-O ministro Arlindo Porto, da Agricultura, voltou a afirmar ontem, o que já dissera, dias atrás, em Londrina: o governo não pretende autorizar a importação de alimentos, inclusive milho. Pelo contrário, se puder vai derrubar as facilidades oferecidas pelos exportadores: prazos e juros generosos. A julgar pela informação do ministro (que não pode ser tomada como definitiva, porque, a esta altura o governo está interessado que o mercado apareça como promissor e estimule o plantio) o impacto das importações sobre o produto nacional será menor na próxima safra.
-A propósito de importação, muitos agricultores sugeriram a leitura e se possível transcrição, do artigo do presidente da Faep, Ágide Meneguette (As fronteiras abertas e a tragédia da agropecuária), no boletim da entidade, semana passada. Ágide recorre a dados da Fundação Getúlio Varga para lembrar, em primeiro lugar, que para uma inflação de 60%, desde o início do Plano Real, os produtos agrícolas tiveram preços corrigidos em cerca de 25%. Alguns desses produtos chegaram a índices negativos e outros mal saíram do zero.
-Para o presidente da Faep, comparação desses dados revela a razão da crise agrícola: preços deprimidos. Mesmo aqueles que apresentaram altas, caso da soja, se corrigidos pela inflação se mostram absolutamente normais.
-A tragédia da agropecuária brasileira tem uma origem mais remota, vem desde o início da abertura das fronteiras sem os devidos cuidados, mas ficou dramática no Plano Real. É a história da âncora verde, da falta de apoio ao preço mínimo, do câmbio defasado, do encolhimento do crédito, do endividamento, etc. -O que o setor precisa neste momento, pode ser sintetizado numa equação simples, segundo Meneguette: preços melhores, com redução de custos de produção. Parte desta equação depende de uma ação do governo, dentro do princípio que, em mercado imperfeito - como é o caso da agropecuária - é preciso um agente econômico que reequilibre o poder de barganha dos produtores junto aos compradores.
-Na questão preços há algumas providências que são bem visíveis. Com a abertura do mercado brasileiro os preços internacionais passaram a contaminar os preços domésticos. Mas qualqur preço internacional quando atravessa a
fronteira, sofre um deságio de 20%. O exportador perde em igual porcentagem. Não é à toa que a balança comercial do Brasil vem apresentando sucessivos déficits, já que as exportações não crescem e as importações são facilitadas. A solução - segundo Meneguette - passa pela depreciação do Real, para que se restabeleça a verdade cambial. Mas, segundo Meneguette, este não é o único mecanismo a tirar a competitividade dos produtos brasileiros: há também o financiamento dos estoques e as taxas de juros. Enquanto permanecerem altas, é mais vantagem importar com financiamentos de 360 dias e 5% ao ano. O juro interno é de 5% ao mês.Mercosul





