No Brasil a gasolina, combustível fóssil não renovável e finito, tem cheiro e cor de álcool, combustível renovável, não poluente. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou ontem que o governo vai vai aumentar novamente o porcentual de álcool anidro na gasolina, dos atuais 22% para 24% e, se for viável tecnicamente, poderá elevar essa mistura para até 26%.
O anúncio foi feito no discurso de saudação a cerca de mil participantes do ''sugar dinner'', tradicional jantar que reúne em São Paulo produtores e operadores do mercado internacional de açúcar.
No evento, que pela primeira vez, em 75 anos, ocorre fora das cidades de Londres e Nova York - segundo a Agência Estado, repórter Gecy Belmonte -, o ministro disse que o aumento do percentual de anidro na gasolina faz parte da estratégia adotada pelo governo para regular a oferta de açúcar e álcool no mercado, considerando a crescente recuperação da safra brasileira de cana-de-açúcar.
Parte do crescimento da produção de álcool será destinada ao aumento do percentual do produto adicionado à gasolina. O Brasil não tem qualquer interesse em desorganizar o mercado internacional. Dados do Ministério da Agricultura indicam que a safra deste ano (2001/2002) alcançará 280 milhões de t de cana e a do ano que vem, 300 milhões de t.
A mistura de anidro na gasolina varia, por lei, de 20% a 24%, sendo este limite determinado pela oferta de álcool. Cada ponto percentual de variação da mistura significa uma alteração no consumo anual da ordem de 300 milhões de litros. Para alterar o percentual dentro desta banda, basta o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), presidido pelo ministro da Agricultura, determinar. Este poder foi concedido no último dia 10 por um decreto presidencial.
Para elevar a mistura para 26%, contudo, é mais complicado e seria preciso alterar a lei número 10.203, de 22 de fevereiro de 2001, que instituiu a ''banda''. Embora o ministro não tenha anunciado a data em que ocorrerá a alteração para 24%, a expectativa é de que isso ocorra até o mês que vem.

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