Oswaldo Petrin
Há um setor que sai praticamente ileso de tantas adversidades macroeconômicas que ocorreram este ano. É o setor atacadista e distribuidor, que espera fechar o ano com crescimento real de 3% e um faturamento (medido pela Usp com base nos preços de varejo) de R$ 43 bilhões (R$ 39,8 bilhões ano passado).
Os números, por enquanto, não passem de projeções, avisa o presidente da Associação Brasileira do Atacado (Abad), o empresário paranaense Paulo Pennachi. Mas o balanço final não deve fugir muito desses valores. Motivo mais do que suficiente para ser otimista.
Para este final de ano, a previsão é de um desempenho estável, ''sem bolha de consumo'', segundo Pennachi. Detalhe: o atacado não foi prejudicado pelo apagão, segundo ele. Apenas enfrentou uma rotina compatível com a realidade macroeconômica que vive o País.
Uma rotina em que as altas do petróleo deve ter permeado todos os orçamentos e exigido revisão de custos de todas as planilhas. Afinal, basta imaginar cerca de 30 mil caminhões rodando 24 horas.
Para se ter idéia do peso econômico do atacado e da distribuição (de alimentos, produtos de limpeza, higiene e de uso pesssoal), aqui estão apenas alguns indicadores: ano passado faturou: R$ 39,8 bilhões; atende 650 mil postos de vendas em todo o País; tem uma frota de 30 caminhões e carretas; emprega 140 mil pessoas entre vendedores e representantes comerciais autônomos; ocupa 3 milhões de metros quadrados de armazéns cobertos.
O segredo para esta performance em meio a uma economia combalida é a competência do setor, segundo Pennachi. Concretamente, porém, ocorrem mudanças que ora prejudicam, ora beneficiam o setor. Uma dessas mudanças é que a indústria passou a usar mais o atacado e tarceirizar sua distribuição.
''O atacado tem um baixo custo logístico'' resume Pennachi. Ao transferir essa atividade para o atacado, a indústria deixou de fazer investimentos pesados em frotas.
A indústria não fraciona a mercadoria para a entrega, uma especialidade do atacado/distribuidor.
Pennachi nega que o setor esteja em crise. O segmento que entrou em dificuldade foi o atacado de balcão. Mas a distribuição está melhor, com liquidez e capilaridade que cobre o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste.
Neste novembro/dezembro, o setor estará engajado na campanha do governo para que o Natal e o Ano Novo tenham um festejo verde-amarelo, conforme apelo para que os brasileiros adquiram produtos de fabricação nacional fazendo a balança pender para o nosso lado.
Pennachi diz que a campanha é positiva e os segmentos econômicos vão se empenhar muito. Na terça-feira a Abad participou de reunião em São Paulo com o ministro Sérgio Amara, do Desenvolvimento, quando foi apresentado o plano da campanha. Presentes representantes de quase 100% do PIB: Abia, Abad, Federações e Sindicatos da Indústria e outras entidades.





