Oswaldo Petrin
Ontem completou um mês que o mundo foi abalado pelos ataques terroristas aos EUA. A economia mundial - que já vinha sofrendo um processo de desaceleração -, agora mal refeita daquele impacto, está longe, ainda, dos sinais de reversão. Porém, os indícios de agravamento ainda não se manifestaram intensamente. Pelos menos os prognósticos mais pessimistas não se confirmaram.
O pior está por acontecer?
Isto vai depender do grau de conformismo-otimismo de quem analisa. Com exceção de aumentos nos seguros sobre os fretes marítimos e suspensão temporária de algumas importações pelo Oriente Médio, o Brasil não sofreu ainda a verdadeira dimensão do efeito.
Convenhamos que alguns indicadores são claros. A cotação do dólar comercial, do dia 11 de setembro para cá, acumula alta em real de 6,6% (mais de 4% só em outubro), segundo número oficial do BC. Mas a maior prova de que o incidente apenas agravou uma situação de desajuste cambial está no acumulado do ano. A desvalorização do real de janeiro até quarta-feira passa de 42%.
Apenas para ficar com o lado mais conformista de um contexto que realmente preocupa, vale observar que há pelo menos duas variáveis positivas desse quase descontrole cambial: 1) Os investimentos especulativos internacionais se não aumentarem, também não precisam fugir de uma hora para outra - malgrado o risco argentino. 2) As exportações se beneficiam grandemente desse ágio e podem fazer a balança comercial pender para o lado brasileiro.
Claro que aqui está escamoteando - deliberadamente - uma série de indicadores que sinalizam para uma crise igual ou pior à do ''crashe''; ou a do choque da Guerra do Golfo, em 1990; ou ainda o calote russo, em 1998. Mas, desta vez, pelo menos estamos na esteira de economias que vinham combalidas como a norte-americana, a européia e o Japão.
O Brasil não está nem à margem nem no centro da crise. Mas no justo calibre de uma circunstância suficiente para não se precipitar, nem justificar falhas graves na condução da economia, como tanta fazer o governo. Não onde amarrar bode expiatório.





