As informações que chegaram ontem da Organização Mundial do Comércio confirmam o que este jornal antecipou ontem: a guerra mudou o cenário do mercado internacional e a reunião da OMC deve frustrar países que esperam liberalização agrícola, caso do Brasil.
Não adiatou, portanto, bater forte nos subsídios. Não fosse a guerra, outros motivos certamente se encarregariam de abortar qualquer esforço para reduzir os subsídios europeus ou norte-americanos que tanto têm prejudicado o comércio das economias emergentes.
O jeito agora é redobrar os esforços para fazer frente à essas distorções. A informação que se tem é a seguinte: apesar da insistência dos países em desenvolvimento, como o Brasil, de incluir uma liberalização agrícola em uma próxima rodada de negociações da OMC, a expectativa da maioria dos governos foi frustrada, a julgar pela disposição da maioria dos países que compõem a cúpula. Além disso, quando não há interesse em concretizar uma idéia, até o temor de ataques terroristas (hoje, uma preocupação mais pertinente do que nunca) contribui para abandonar o objetivo.
Na primeira reunião para debater o texto, ontem, o descontentamento era geral, conforme o correspondente da Agência Estado Jamil Chade. O motivo é que o rascunho (a pré-pauta) da reunião apenas mencionava uma reforma nas políticas agrícolas ''a longo prazo'' e uma redução ''gradual'' de subsídios.
''A longo prazo todos estaremos mortos'', disse o embaixador brasileiro, Celso Amorim, aos demais países da OMC, fazendo referência ao economista John Maynard Keynes.
Os diplomatas uruguaios lembraram que, em 1988, os textos negociados já se referiam a uma abertura comercial ''a longo prazo'', o que até agora não ocorreu. Na avaliação de muitos países, o texto deveria deixar clara a necessidade de uma ''redução imediata'' de subsídios e a realização de reformas ''no curto ou médio prazos''.
Mas, faltando 30 dias para a reunião de Doha, não são apenas os países em desenvolvimento que estão descontentes, conta a AE. Europeus, japoneses e coreanos reclamam que há pouca referência sobre assuntos como a segurança alimentar. Na avaliação dos países que exportam produtos agrícolas, isso seria mais uma maneira de garantir outra forma de protecionismo.

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