Difícil a agenda de hoje do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira: analisar medidas para reativar o setor. Entre as propostas estão a prorrogação do prazo de registro das exportações de café dos atuais seis meses para até um ano e a prorrogação de uma dívida de R$ 200 milhões dos exportadores com o Funcafé, que vence em 31 de janeiro.
Como se vê o colegiado - integrado por representantes do governo e setor privado - não busca o caminho da lógica, do mercado, mas quer soluções que venham através de medidas de compensação, como esta da prorrogação da dívida. O setor parace não ter se libertado dos velhos vícios que contemplam favores articulações políticas.
Sobre a dívida: foi contraída pelos exportadores para financiar a estocagem de 20% do café exportável mensalmente, e já havia sido prorrogado anteriormente por 180 dias. A retenção foi determinada pelo governo para cumprir o programa aprovado pela Associação dos Países Produtores de Café (APPC) em junho de 2000. O programa foi extinto no final do mês passado porque não atingiu o objetivo de elevar os preços do café no mercado internacional. Agora, é preciso encontrar uma solução para as 2,3 milhões de sacas que se encontram retidas nos armazéns oficiais como garantia do empréstimo.
Na reunião também deverão ser discutidas alternativas para a dívida de cerca de R$ 1 bilhão feita nos últimos anos pelos produtores junto ao Funcafé. Esta dívida está incluída no débito de R$ 32 bilhões do setor rural, que a bancada ruralista do Congresso quer prorrogar por mais 20 anos. Diante da gravidade da crise do setor cafeeiro, conforme a AE, a tendência é de que seja feita uma renegociação em separado para o débito dos cafeicultores, segundo uma fonte do governo.

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