Oswaldo Petrin
EUA questionam subsídio
O raciocínio de que as consequências do terrorismo implicariam na redução de subsídios à agricultura norte-americana (partindo da premissa do deslocamento de recursos para combater a recessão) estava certo. Claro que a produção de alimentos de baixo custo é remédio contra a crise - e Bush ainda pode usá-la para uma política de boa vizinhança com aliados.
Mas a informação que veio de Washington, ontem, confirma a tese de que os EUA podem reduzir o aporte de recursos para a produção. Seguinte: há um projeto em tramitação na Câmara que destina US$ 170 bilhões em subsídios à agricultura nos próximos dez anos. O governo acha que é muito.
A Casa Branca mandou dizer que é contra a nova lei de apoio à agricultura em pelo menos dois pontos: no item que prevê esta forte injeção de recursos para a produção; no item que prevê sua entrada em vigor ano que vem. A Casa Branca quer retardar a aplicação do programa em pelo menos um ano.
E a própria Casa Branca se encarrega de expôr uma imagem pouco simpática desse volume para os agricultores. É que embora a lei seja sempre defendida como uma medida necessária para ajudar ''as famílias de agricultores'', a maior parte dos recursos representam transferência de dinheiro público às grandes empresas do agribusiness. Segundo a Casa Branca, metade dos pagamentos à agricultura foi recebida por apenas 8% das propriedades agrícolas, enquanto que metade dos agricultores recebeu apenas 13% da ajuda. Veja matéria de Agência nesta página.
Há um sentimento de que subsídios à produção são distorcivos ao comércio, ainda que tenham a aprovação da sociedade. Em sua versão original, esse mecanismo previa o pagamento ao produtor de um preço acima do preço internacional, desde que ele reduzisse a área plantada.
O que mais chama a atenção é o pensamento da Casa Branca sobre a proposta em discussão: ela não ajuda os agricultores que necessitam de apoio, e encoraja a superprodução de commodities - que já estão com preços deprimidos por excesso de oferta nos EUA. Além disso, cria dificuldades para os esforços do país de brigar pela redução dos subsídios agrícolas na Europa e no Japão na próxima rodada global de negociações na Organização Mundial de Comércio.
A Casa Branca, decidiamete, não quer a aprovação da lei que remete novos valores para subsidiar a soja, o milho e o trigo norte-americanos. A leitura que faz da proposta é que ela ''aumenta o gasto público num período de incerteza''. Claro que há razões mais fortes.
Se Bush reduzir o portentoso volume de subsídios que os EUA destinam à sua produção, a soja e o milho brasileiros agradecem.





