Início de semana e início de mês mergulhados em apatia geral e irrestrita em quase todos os mercados, do acionário - onde o que se observa ainda não são indícios de recuperação - às commodities agrícolas, no mercado físico.
Mercado travado, ontem. Das Bolsas de Nova York e Chicago, aos cerealistas de Chapecó, que não conseguiram intermedear sequer uma tonelada de milho, ontem, do Sudoeste do Paraná. Não houve oferta, nem procura.
Nada ocorre por acaso. Qualquer que seja a explicação que se queira atribuir, ''mercadológica'' ou ''técnica'', como disfarçam os agentes do mercado, o que permeia mesmo é a recessão mundial pós-atentado. No caso da soja, por exemplo, debita-se à boa performance da safra norte-americana
De um setembro negro passamos a um outubro que acena palidamente com sinais de recuperação apenas localizado. Ontem, por exemplo, os EUA deram mais um passo para recuperação da economia - ou para evitar um colapso, para os mais pessimistas. O banco central dos EUA, Fed, poderá reduzir amanhã (02) seus juros de curto prazo para a menor taxa desde 1962. A expectativa de boa parte do mercado é de que o Comitê de Mercado Aberto do Fed corte a taxa dos federal funds, os títulos que ser vem de lastro para os empréstimos entre os bancos no overnight, 0,50 ponto percentual para 2,5% ao ano. Taxa menor do que esta só pode ser encontrada em junho de 1962, quando os fed funds projetavam juro de 2,09%.
Em 1962, o juro baixo ainda refletia a redução dos juros aplicada a partir da recessão em que os Estados Unidos entraram em 1960. O juro do federal fund, que começou o ano de 1960 no patamar de 4%, chegou a cair a 1,01% em 1961. Dessa mínima para o período, o banco central norte-americano chegou a subir o juro para a máxima de 19,49% em janeiro de 1981 com a finalidade de atacar pressões inflacionárias. (Regina Cardeal, Agência Estado, ontem)
Mauro Schneider, estrategista para a América Latina, afirma que o banco trabalha com a previsão de que, além da taxa dos fed funds, o banco central norte-americano cortará também em 0,50 ponto percentual a taxa de redesconto, o juro que o BC norte-americano cobra nos empréstimos de curto prazo aos bancos comerciais.
Para o Brasil, uma nova redução nas taxas dos EUA também será benéfica, afirmam analistas. Os EUA continuam sendo a locomotiva do mundo, quanto mais rápido vier a recuperação norte-americana, mais rapidamente melhorará tudo aquilo que afeta direta e indiretamente os países emergentes. Podem ser mencionados o preço das commodities e o fluxo de investimentos.

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