O especialista em mercado de commodities, Leopoldo Saboya, da Trigonet, de São Paulo, calcula os custos de internalização do trigo argentino - partindo de um preço fob de 118 dólares/tonelada -, e chega a 400 reais. Conclui: está 100 reais mais caro do que o trigo paranaense. A princípio, motivo mais do que suficiente para as indústrias não protelarem mais as compras. O técnico também pondera algumas razões para a lentidão na comercialização, incluindo aspectos técnicos como secagem.
Já o presidente da Valcoop, Wilson Pan, observa que a suspensão dos negócios não ocorreu porque os produdtores não quisessem vender e sim porque os moinhos não mostraram interesse de comprar.
Mesmo tendo à disposição um trigo de alta qualidade, os moinhos estiveram praticamente fora do mercado, com o propósito de forçar a baixa dos preços, afirma Wilson Pan. Conseguiram, afinal muitos produtores, pressionados por compromissos, estão vendendo o trigo a R$ 15,00/saca. ''Este preço é muito baixo, caracterizando uma exploração dos moageiros sobre o produtor rural'', reclama Pan.
Mas, tanto Pan como Saboya acham que há sinais de mudanças. Pan relaciona os seguintes fatores:
1) O trigo argentino só deve começar a entrar no Brasil na segunda quinzena de dezembro.
2) A qualidade do trigo argentino para panificação deixa a desejar. Os moinhos estão recebendo o cereal argentino com até 5% de impureza, uma alta porcentagem que eleva o custo.
3) Os moinhos brasileiros processam 800 mil a 850 mil toneladas de grãos de trigo/mês e necessitam de aproximadamente 2,4 milhões de t para seu abastecimento até a chegada do trigo argentino.
4) A qualidade do trigo paranaense colhido até agora é muito boa, o que credencia o seu uso como melhorador, inclusive nas misturas com o trigo argentino.
5) As condições climáticas dos últimos dias não têm sido favorávies para as lavouras que estdão no campo, podendo haver redução na produção brasileira,o que valoriza ainda mais o produto colhido.
6) A instabilidade da moeda nacional com relação ao dólar está preocupando os moageiros.
7) A liberação de EGFs para o produtor faz com que estes tenham condição de retardar a comercialização do trigo.
8) A liberação de EGFs para a indústria moageira lhe proporciona a condição de retornar ao mercado de compra.
Todos esses fatores são positivos para o produtor, segundo Pan, principalmente aos trigos de boa qualidade.
Porém, é preciso segurar o produto - sugere - e evitar o excesso de oferta, fazendo com que os moinhos passem a ser demandadores.
Uma boa opção neste momento, segundo Pan, é a modalidade ''opção de venda'', praticada pelas cooperativas, através da qual o produtor estabelece o preço que deseja, deixando a opção para a área de comercialização durante um período determinado. Desta maneira o produtor pode conseguir melhor preço.

mockup