Oswaldo Petrin
A recessão mundial está fazendo com que as discussões sobre a adição de 3% a 5% de óleo de soja no óleo diesel caminhem mais rapidamente. O biodiesel, uma proposta que não é nova, está mais próximo da adoção. Países produtores e consumidores tratam de ''fechar'' as pesquisas - praticamente prontas - sobre ''transesterificação'', o processo que confere ao óleo vegetal componentes químicos que o equiparam ao óleo derivado do petróleo, compatibilizando as funções de ambos.
O biodiesel e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) ocuparam boa parte das discussões da reunião bienal da International Association of Seed Crushers - a Associação Internacional das Indústrias Esmagadoras de Sementes de Soja -, que se realiza na Austrália desde a semana passada.
Hoje, em Genebra, será apreciado o pedido do Brasil de informação informal aos Estados Unidos sobre os subsídios internos aos produtores de soja. A aprovação é tida como certa e será encaminhada via OMC. A expectativa é que os EUA confirmem o aumento dos subsídios aos produtores e as diferentes formas como ele se expressa. (Veja nesta página).
A Associação Internacional das Indústrias Esmagadoras de Soja, presidida pelo brasileiro Sérgio Cardoso, reúne indústrias de extração de óleos vegetais do mundo inteiro. A pleno vapor, o biodiesel será um consumidor guloso do óleo brasilerio. Mas ainda não há estudo como será comercializado.
Já com relação à cota de exportação de óleo do Brasil para a China - uma vez dentro da OMC -, deve chegar a 1,7 milhão de toneladas. Um bom mercado quando se considera que a China praticamente zerou sua importação nos últimos cinco anos (preferindo comprar a matéria-prima) e que em 1996 importou cerca de 1 milhão de toneladas de óleo. A China deve fechar todos os acordos para entrar na OMC ano que vem.
Na reunião da Associação Internacional das Indústrias de Soja está o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli. Segundo ele, os europeus têm outra forte razão para adotar o biodiesel. Sem enxofre, o óleo polui menos. E a questão ambiental hoje é levada a sério na Europa. Além disso, a UE tem chance de incluir o óleo de colza, em expansão, mas que não pode ser usado na alimentação por força de acordo com os EUA.
O conflito EUA versus terroristas tem todo impacto do mundo sobre os executivos de grandes empresas reunidos na Austrália. Menos sobre os negócios da soja. Há um consenso na Associação Internacional das Indústrias da Soja que tanto o óleo como grão ou o farelo, são alimentos, que ninguém pode prescindir, na guerra ou na paz.





