Pode faltar vacina
Outubro e novembro são meses de maior densidade na vacinação contra a febre aftosa. Para uma demanda de 162 milhões de doses, até final do ano, os estoques disponíveis, esta semana, não passavam de 20 milhões de doses. As indústrias e o Ministério da Agricultura não admitem, mas os níveis de reservas do medicamento são críticos, exigindo, talvez, que se amplie os prazos das campanhas.
O problema não seria grave se o fator sanidade, hoje, não fosse determinante para o mercado, depois do episódio da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina) e do incidente comercial entre Brasil e Canadá por razões comerciais, mas que teve origem no fator sanidade.
O médico-veterinário Sebastião Costa Guedes, vice-presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para a Saúde Animal (Sindan) discorda e busca tranquilizar o setor: estoque é baixo mas há mais de 100 milhões de vacinas em teste, observa. Ele admite, porém, o que chama de remanejamento da campanha em algumas regiões.
De fato, é alívio saber que há mais de 100 milhões de doses em produção. Mas os testes, hoje, são um processo demorado, com maior exigência técnica, em que a vacina é desafiada no seu nível de proteção. São necessários entre 4 e 5 meses do início da produção à liberação para o mercado.
Além disso, não se sabe se existe uma escala ou calendário para a colocação das vacinas. O certo é que, como o Sindan concorda, em novembro os estoques estarão em níveis críticos.
A produção de vacina, este ano, deve ficar entre 325 milhões e 330 milhões de doses (283 milhões ano passado). O aumento se atribui ao aparecimento de focos no Rio Grande do Sul - que até então não precisava vacinar - e envio de vacinas para Uruguai, Paraguai e Argentina. Em matéria de produção e demanda de vacina os números do governo não batem com os das indústrias.
O Brasil é o maior produtor e consumidor de vacina. Tem um rebanho de 165.873.054 cabeças ''sob controle sanitário''. O problema hoje são os minifúndios e os grandes rebanhos na Amazônia. O gado brasileiro recebe duas doses de vacina/ano até os dois anos de idade; animais com mais de dois anos recebem uma dose.
À medida em que os técnicos do governo aumentam as exigências com relação à eficácia da vacina, o índice de reprovação aumenta chegando a um percentual nunca antigido. Passou de 5% para mais de 20% este ano. (Continua).

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