Oswaldo Petrin
Juros: deu a lógica
Deu a lógica na decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) ao manter a taxa dos juros básicos em 19%. O aumento da taxa, só iria antecipar um ambiente de recessão que ainda está por vir, refletindo a reação da economia mundial aos efeitos da destruição da World Trade Center.
A redução das taxas, por sua vez, não traria o efeito desejado diante da forte pressão cambial que ontem provocou nova alta no dólar (chegou a R$ 2,70). O dólar nesse nível neutraliza qualquer tentativa de afrouxamento da política monetária.
O que se observa é uma leitura antecipada do que pode ocorrer com a economia mundial. Vem aí um período de recessão internacional, já configurado na economia interna dos Estados Unidos.
No dia seguinte ao episódio foi dito aqui que o menor preço das consequências do incidente sobre a economia norte-americana poderia ser comparado ao que ocorreu quando da invasão do Kuait pelo Iraque, em agosto de 1990. Os especialistas já estavam jogando com essa hipótese.
Naqueles dias os consumidores se encolheram para depois tomar medidas defensivas como formar estoques domésticos de alimentos e, aí sim, criar bolhas de consumo. Bolhas, não aumento programado de demanda. O comportamento do mercado consumidor, medido pelo Índice de Confiança dos do Conference Board caiu 40 pontos.
Não se conhece, neste momento, parâmetros aferidores do sentimento da economia neste dias em que se prevê novos incidentes, retaliações, ataques localizados, etc. Mas um recuo dos consumidores é mais do que lógico.
Principalmente porque a economia mundial já estava em dificuldade antes do incidente do dia 11. Os Estados Unidos tentavam reverter uma situação recessiva desde o ano passado. O Japão e a Ásia como um todo em extrema dificuldade configurada. E a União Europeia costurando acordos e lutando contra agravamento do desemprego.
Neste cenário, duas torres a menos só poderia agravar uma situação delineada. Resta saber, ainda, as dimensões dos desdobramentos. A esta altura da turbulência, o que menos atrapalha economias emergentes como a brasileira, são alguns pontos percentuais nos seus juros básicos (taxa Selic).
Se a economia americana se contrair ainda mais haverá repercussão mais forte. Por enquanto, ainda podemos nos dar ao luxo de analisar o cenário com duas hipóteses como se pode ver na questão do trigo. Talvez, mês que vem, esses quadros estejam mais definidos...para pior.





