Oswaldo Petrin
-Aos poucos vão aparecendo as consequências da desastrada comercialização do milho nesta última temporada. A principal delas, observada ontem pelo gerente da Fapeagro, José Gomes, é o forte impacto na redução de área da próxima safra. Estudioso do assunto, ele acha que a redução será mais severa do que o previsto. Nunca as relações comerciais foram tão falhas e predatórias. Falhou o governo que abortou o sistema de leilão de opções, um mecanismo que poderia dar certo. E foi tímido e refratário nas operações de AGF. Falharam as indústrias, que optaram por um enfoque excludente nas relações com seus fornecedores de matéria-prima: achataram os preços transformando a lei da oferta e procura em um instrumento contundente contra os agricultores, fragilizados pelo excesso de produção. Falharam as cooperativas porque insistem em operar como as indústrias no tratamento aos associados.
-O Estado do Paraná tenta organizar as cadeias produtivas. Pelo menos no caso do milho, parece difícil. Depois de tudo o que houve nesta safra (em que cada segmento tentou tirar o máximo da situação adversa daquele que seria seu parceiro), pensar em organizar cadeia produtiva e contar com essa gente, é sonhar demais. Na velha mentalidade, ainda reinante, não há ganho a ganho, ou ganho para todos. O setor industrial ainda entende que o ganho tem que ser por exclusão: para que a indústria ganhe, o produtor tem, necessariamente, que perder. Ou vice-versa. Ainda bem que o elo fraco da corrente se manifesta em apenas um segmento, o produtor. Afinal, se o conceito predatório se estender através de outras etapas, como no varejo, por exemplo, talvez o fubá esbarre na primeira gôndola, e o frango vai cantar em outro terreiro.
-O técnico Gomes não é o único a alertar. Dias atrás, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Virmondes Olegário, disse à repórter Vânia Casado, da sucursal de Curitiba, que a situação do milho é preocupante. Ele havia participado de uma reunião em SP cujo objetivo principal foi alertar as indústrias de ração sobre riscos que elas estão correndo, se deixarem somente o governo entrar no mercado comprando o grão para formar os estoques reguladores. Entenda-se: as indústrias não são obrigadas a enxugar o mercado em favor do produtor, mas na omissão do governo, deveriam fazer isto em nome da esperança da próxima safra.
-Entrevistamos o ministro Arlindo Porto no ônibus que o levou do aeroporto ao Parque Ney Braga, quando ele esteve em Londrina para encerrar a Expogranja. O ministro, de posse de dados sobre estoques de passagem, estoque em mãos do comércio e projeções sobre redução de área, foi sincero ao admitir problemas na próxima safra. Agora, quando se fala em reverter a tendência e estimular o plantio do milho, o mínimo a se fazer não é acenar com um preço mínimo devidamente corrigido, apenas. Mas cumprir a Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM). E recuperar a confiança, algo difícil, pelo menos neste momento. Brometo/frutas





