Indícios de recessão
Não se pode subestimar a amplitude da recessão mundial em tempo de guerra iminente. Mas, por enquanto, há muita conjectura em cima de fatores subjetivos em que cada setor especula segundo seu interesse.
O mercado da soja, na Chicago Board of Trade, ontem, é um exemplo: na abertura sentiu toda carga dos sinais emitidos pelo índice Dow Jones, que refletia um mercado acionário em queda livre, na Bolsa de Nova York. No entanto, bastou que os fundos de commodities entrassem comprando - a fim de ''cobrir posições'' - para o mercado reagir e os contratos de setembro deste ano fechar em alta de 6 centavos por bushel (US$ 4,80/bushel ou US$ 10,58/saca).
Aqui a especulação e o interesse chegam antes da crise. Ao assistir a queda da primeira torre, dia 11, o presidente FHC já previu recessão. Diferente do sentimento das autoridades norte-americanas. Lá entre escombros, o Banco Central (Fed), contrapondo a crise, injetou liquidez no mercado. E ontem reduziu os juros em meio ponto.
Aliás, por tabela, o Fed inibiu alta dos juros aqui - bem que a equipe econômica, talvez preferisse o contrário. Hoje e amanhã quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunir para fixar os juros básicos oficiais, dificilmente terá ambiente para aumentar as taxas. Quando muito deverá mantê-las nos 19% para onde foram içados no mês passado. Aliás, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deixou entrever que os juros serão mantidos, ao afirmar que ''não há folga para queda dos juros''.
Declaração do presidente da Perdigão, Nildemar Sacches, ontem, confirma uma hipótese levantada aqui na semana passada: o governo norte-americano pode deslocar recursos dos subsídios agrícolas para o setor segurança. Os exportadores brasileiros agradecem. É que em matéria de orçamento, nem os EUA fazem milagres. Alguns setores terão de ser sacrificados na tarefa de combate ao terrorismo. Mas isto também são conjecturas.

mockup