Paulo V. Sendin, de Londrina: ''A propósito dos recentes debates técnicos sobre o feijão. Instintivamente, como estamos acostumados a associar tecnologia com indústria e, mais ainda, com informática e eletrônica, logo pensamos em uma panela informatizada ou, pelo menos, em uma nova panela de pressão, de preferência economizadora de energia, nestes tempos de apagão...
Mas, por que não associar tecnologia com o que vem dentro da panela?
Com frequência, nos esquecemos de que o desenvolvimento tecnológico ocorre também na produção de alimentos e, neste caso, nem todo ele se resume aos famigerados transgênicos.
Há um produto bem humilde e corriqueiro na panela de praticamente todo cidadão brasileiro que tem sido objeto de muita pesquisa tecnológica e que deve muito a essa pesquisa o fato de ainda estar na mesa do povo: é o feijão.
Embora com seu consumo per capita bastante reduzido em relação a um passado não muito distante, pois diminuiu de 24 kg por habitante/ano na década de 70 para menos de 16 kg nos dias de hoje, o feijão ainda é a grande estrela da cozinha brasileira, onde garante uma parcela relevante da proteína consumida, especialmente para aqueles que nem sempre podem comprar proteína animal.
O que poucos sabem é que essa permanência do feijão em nossa dieta básica só tem sido possível porque a pesquisa agronômica conseguiu novas variedades e novos sistemas de cultivo que permitem a venda do produto a preços reais muito inferiores aos praticados há 20 anos.
Se não fossem as novas tecnologias, desenvolvidas por diversos institutos de pesquisa, os custos e preços atuais estariam em níveis que retirariam o produto da mesa de quase todo brasileiro, acentuando ainda mais a tendência à queda do consumo.
A urbanização da população e o menor tempo disponível para o preparo de refeições em casa - pelo maior presença da mulher no mercado de trabalho -, levam o consumidor a procurar alimentos alternativos ao feijão, provocando um aumento no consumo de massas, muito mais fáceis de preparar, movimento esse que só não tem sido ainda mais intenso por essa disponibilização do produto a preços competitivos.
Esse exemplo mostra que a pesquisa agronômica, executada por instituições públicas e adequadamente focada nas necessidades do consumidor, permite a obtenção de resultados altamente relevantes para a Sociedade, com impactos positivos na disponibilidade de alimentos de grande qualidade nutricional.
Por outro lado , isso nos traz também uma visão mais adequada do que é tecnologia, pois podemos entender que nem sempre é a panela nova que representa a modernidade: muitas vezes o que está dentro da panela é que tem um alto conteúdo tecnológico, produto de um intenso trabalho de pesquisa por parte de organizações e cientistas, raramente conhecidos e, menos ainda, reconhecidos pela Sociedade....
Nota: Paulo Varela Sendin é engenheiro agrônomo, em Londrna: [email protected]
Juliano R. Michelato, de Ponta Grossa: ''Gostaria de saber alguns detalhes sobre a opção de compra de milho para a próxima safra. Se possível queria esclarecer algumas dúvidas:
Com quem eu faço a opção?
Qual é o valor do prêmio pago?
Quem garante a entrega do milho?
Quem garante o preço da entrega?
Resposta:
1) A compra de contratos de opção de venda de milho é feita através de uma corretora credenciada em bolsa. No Paraná, há quatro bolsas que têm seus próprios corretores. Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML): 43 - 324 4004; Bolsa de Mercadorias de Londrina (BML): 43 - 323 2284; Bolsa de Cereais e Mercadorias de Maringá (BCMM): 44 - 266 2121 e Bolsa de Mercadorias do Paraná (BMP): 41 - 335 3322, em Curitiba.
2) O prêmio é aquele leiloado nas bolsas de cereais e corresponde a R$ 22,50 por contrato (valor que pode variar conforme a concorrência). Cada contrato equivale a 450 sacas de milho. Ao participar do leilão e efetuar a compra, o comprador paga duas taxas fixas por contrato, independendente do valor final do prêmio: R$ 6,50, que é a taxa de registro do contrato no Cetip (órgão de registro de operações via bolsas) e R$ 13,00, que é a comissão da corretora que está intermediando a negociação.
Contrato de opção do milho: vendedor deve procurar a Bolsas de Curitiba, Londrina ou Maringá
3) A entrega do produto deve ser realizada pelo comprador do contrato de opção nos armazéns credenciados do governo. A entrega não é obrigatória e se o comprador achar que o mercado físico está mais remunerador, ele é livre para optar pela não entrega, mas as taxa pagas previamente não serão devolvidas.
4) Quem garante o preço de entrega do produto, atualmente R$ 10,00 por saca, é o governo federal que realiza os leilões. Os contratos de opção vencem no dia 15 de março de 2002. A data de confirmação da entrega deve ser feita na bolsa de cereais que efetuou a negociação de 11 a 13 de março e o prazo de entrega do produto é de 16 de março a 1º de abril. Após a confirmação de entrega, o governo garante o pagamento de 2 a 16 de abril, pelas agências do Banco do Brasil. A propósito, nesta quarta-feira, a partir das 9 horas, haverá leilão de 8.824 contratos de opção de venda de milho para o Paraná, via bolsas de cereais.
NotaQuem tiver mais informações para Juliano Rodrigues Michelato, o e-mail dele é este: [email protected]
Gilmar C.A. Ribeiro, de Paranavaí: ''Sobre o ataque terrorista aos Estados Unidos: a imprensa dá como certa a retaliação aos países que abrigam terroristas. E já prevê o ''troco'' desses países, que devem reduzir as importações dos aliados dos EUA, como o Brasil. Mas todos as informações são muito genéricas e falam da ecnomia financeira. Falta informar sobre os países do oriente, potenciais compradores dos nossos produtos. Ninguém - com exceção ao seu jornal, mesmo assim de maneira não detalhada - tem enfocado o assunto de maneira orientativa. Gostaria de saber mais sobre as chances de substituir as exportações pelo mercado interno''.

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