Oswaldo Petrin
De Bretton Woods ao WTC
A maioria dos empresários está prevendo recessão generalizada no pós-atentado e isto afetaria as exportações brasileiras. A premissa é o clima de medo e a necessária cautela com relação aos desdobramentos da crise.
Outra premissa, menos linear e prematura, é o recuo dos consumidores norte-americanos, mais cautelosos com suas despesas. Tem lógica esta preocupação. Dois terços da economia norte-americana depende do seu consumo interno. Considere-se que PIB americano responde por 30% da economia mundial.
Se mais de 90% da sociedade norte-americana aprova a retaliação, é porque esta sociedade - malgrado o fato de estar sob impacto emocional no momento da pesquisa - está disposta a aceitar os sacrifícios. Está disposta, portanto, a abrir mão de sua saudável gastança pessoal e familiar.
Mas, ainda asssim, falta esmiuçar mais. Por exemplo: qual o tipo de consumo será reduzido? O consumidor norte-americano está disposto a abrir mão do que?
Os itens das necessidades essenciais?
Difícil pensar assim de uma sociedade ciosa do seu bem-estar. Aqui já obtém metade da resposta para a pergunta que interessa ao Brasil, enquanto fornecedor de alimentos para uma economia que - supostamente seria influenciada por uma recessão nos Estados Unidos.
Que vêm dificuldades por aí, ninguém tem dúvida. Resta localizar os setores a serem atingidos. Fora disto é conferir importância em exagero ao que previu Stevaen Dunawag, economista do FMI, que, porém, não foi tão duro ao comparar os ''dias vindouros'' com as consequências da Gerra do Golfo em 1991 (entrevista a Gerard Baker e Ed Crooks, do Financial Times).
Preocupa sim as dimensões da retaliação. Mesmo assim, fica difícil prever, agora, se o oriente deixaria de comer frango brasileiro em represália a adesão do Brasil a um acordo com os Estados Unidos pró-retaliação.
Sinais a curto prazo, como cotações do dólar, taxas dos juros futuras e cotação das ações - principalmente de empresas que têm seu foco no mercado norte-americano - são indicadores importantes, mas não sinalizam, ainda, um cenário necessariamente recessivo naquilo que mais interessa ao Brasil, que é a demanda de bens de consumo não duráveis e alguns manufaturados.
Para uma economia vulnerável como a brasileira - na gestão de FHC e Pedro Malan -, tudo preocupa.
Porém, a despeito do iminente incidente armado, não se pode aferir o que vem por aí tomando como base, por exemplo, os efeitos do crash de 1987 ou ataque especulativo das bolsas na Ásia e Rússia, onze anos depois, em 1998.
Enfim, a ®MDBO¯economia brasileira não passará incólume,®MDNM¯ obviamente. Consequências dos atentados terroristas sobre os símbolos do poderio militar e econômico dos EUA, o Pentágono e as torres do World Trade Center, respingam por toda a economia, e o mundo nem precisaria ser globalizado.
O dólar, principalmente, e o petróleo se encarregariam de fazer isto. A menos que a história tivesse sido mudada 57 anos atrás, em julho de 1944, em Bretton Woods (New Hampshire) palco da Conferência Monetária das Nações Unidas. Nela, as nações capitalistas começaram a planejar a estabilidade da economia mundial e moedas nacionais (o dólar na ®MDBO¯pole position)®MDNM¯, fragilizadas pela Segunda Guerra.
(Na mesma Conferência nasceu o Fundo Monetário Nacional (FMI), mas qualquer historiador diria que a pequena Bretton Woods não teve culpa.)
Brincadeira à parte, se a esta altura os exportadores brasileiros estão revendo suas metas, estão absolutamente certos.
LEITURA DINÂMICA
- Recessão por recessão, a economia interna dos EUA já vem experimentando isto.
- Ontem, por exemplo, saiu informação, atribuída ao Departamento de Trabalho dos EUA, sobre o aumento de pedidos de auxílio-desemprego.
- Entre a primeira semana de setembro e a primeira semana de setembro pulou de pouco mais 400 mil para 430 mil pedidos.
Os pedidos contínuos - de trabalhadores desempregados que recebem benefícios há mais de uma semana- atingiram, na semana encerrada em 1º de setembro, 3,3 milhões de pedidos, 152 mil a mais que na semana anterior. (AF).
DROPS
Soja/Cocamar O presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, ontem para produtores de Paiçandu: ''Ninguém deve se preocupar com o mercado; nada vai alterar o cenário da soja. Até início da colheita, em fevereiro, vai faltar soja para a indústria. As exportações de grãos este ano chegaram a 15 milhões de toneladas.
Soja/média Produzir menos de 140 sacas/alqueire (2,42 hectares) é perder dinheiro. Quem alerta é o engenheiro agrônomo Antônio Sacoman, coordenador de grãos da Cocamar.
Soja/Chicago Bolsa de Chicago retomou suas atividades ontem, com alta de 14,25 centavos de dólar/bushel. Contratos com fechamento em setembro foram cotados a US$ 4,80/bushel (US$ 10,58/saca).
Soja/EUA Mercado especula com uma safra norte-americana de 76,28 milhões de toneladas. Mas muitos traders acham que o Usda divulgue números mais otimistas no seu relatório de hoje. Veja mais na página 4.
Milho/P.Grossa O preço máximo do milho subiu ontem para R$ 12,00/saca. O menor preço, em Ponta Grossa, ficou nos R$ 9,00/saca. Cotação de compra pelos atacadistas. (Fonte: convênio Sima/Seab)
Milho/Toledo Cotação de compra pelos atacadistas em Toledo, ontem: variação entre R$ 9,60 e R$ 9,70. O Sudoeste do Paraná, maior produtor de suínos, foi a única região a apresentar negócios com milho. Nas demais praças, praticamente não houve oferta.
Milho/Apucarana Em Apucarana e em quase todo o Vale do Ivaí a cotação de compra pelos atacadistas de milho variou entre R$ 9,60 e R$ 9,80, pagamento à vista.





