Ataque especulativo
Aconteceu o que se esperava - e esta coluna divulgou ontem: o mercado, sem referência das bolsas internacionais, retraídas e mal-refeitas do impacto do terror nos EUA -, praticamente não funcionou ontem. Melhor exemplo foi o das commodities agrícolas, notadamente a soja.
Até porque, mesmo em condições normais, faltaria motivo para especular. Isto só vai ocorrer amanhã, com a divulgação, a partir das 9 horas, do relatóro mensal do Usda, cujo efeito vai se manifestar na segunda-feira.
Com dólar em alta, dependendo do que o Usda revelar sobre a situação da safra norte-emericana, o preço deve puxar mais de R$ 1,00 por saca, um ''baixo impacto'' para um cenário de baixa que já dura três semanas.
Mas o relatório desta sexta-feira, além de apontar os dados sobre exportação da soja americana - indicador do fluxo da demanda mundial -, deve trazer, como surpresa, dados sobre as perdas causadas pela seca no Meio-Oeste americano.
Até hoje, desde o plantio da safra, em maio, o mercado tem especulado em cima de notícias sobre ausência de chuvas. Mas, o próprio Usda omitiu as dimensões das perdas, se é que elas existem.
Mas o mercado está sequioso por especular, depois dessa apatia agravada pelo episódio de terça-feira. Nessa linha de pensamento, pode até eleger (forçar) um fator novo para puxar os preços. Qual seria? Se a estiagem não deu motivos suficientes para reduzir a safra - e com isso elevar os preços - a própria meteorologia, agora em sentido contrário, pode apontar chuvas para atrapalhar a colheita que se aproxima. Neste caso, razões opostas, provocam o mesmo efeito. Tem operador pagando para ver. ''Se a seca, durante a safra, não foi capaz de alavancar os preços, que a chuva o faça, durante a colheita.''
Ontem as cooperativas do Paraná fizeram questão de mostrar que o mercado esteve parado, praticamente sem negócio de grandes lotes. E as vendas futuras da próxima safra permaneceram ''travadas''.
Soja à parte, o mercado hoje apresenta leilões de milho e arroz (Prêmio de Escoamento da Produção) e o resultado do leilão de café (veja na página 3).
No mercado acionário apatia ainda maior com o item seguros na defensiva. Dizem até que o preço da destruição de World Trade Center, em Nova York, vai acabar diluído entre segurados do mundo inteiro, de forma indireta e imperceptível.
Deu a lógica também na pressão do câmbio. O dia terminou com o dólar comercial em alta de 0,82%, a R$ 2,678 na compra e R$ 2,682 na venda. O dólar de outubro subiu 0,96%, fechando em R$ 2,715. Para novembro, a moeda indicou a cotação de R$ 2,757, em alta de 0,85%. (Veja mais nos Indicadores, pág. 3 desse caderno, e no caderno especial sobre terrorismo nos EUA).

mockup