Oswaldo Petrin
Impacto no mercado
Sobem o petróleo e seu amplo leque de derivados; sobe o ouro e, num primeiro momento, sobem - defensivamente - todas as commodities, incluindo as agrícolas. Caem ações, de quase toda natureza, por razões óbvias.
Respingos da tragédia mundial de World Trade Center, em Nova York, chegam aos mercados de commodities em geral, e não excluem o agribusiness. O impacto do mercado atinge em cheio itens como o trigo e o complexo soja, além do estreante milho. Carnes também sobem num primeiro momento. O que é comida sobe.
Esta é a leitura imediata, generalizada, de curtíssimo prazo - para o fim da semana ou, no máximo, até a virada do mês. Há muitas variáveis que devem ser consideradas, além daquelas inerentes ao mercado em tempos, supostamente, de paz.
No front dos subsídios, do protecionismo, das tarifas alfandegárias, etc, muitas suposições para o longo prazo.
Como esta hipótese levantada ontem pelo mercado: No esforço para aumentar sua segurança, os Estados Unidos reduzem o orçamento destinado à proteção ao mercado agropecuário deslocando recursos para a área de segurança. A soja americana tem menos força competitiva.
Certo ou errado? Errado.
Se os Estados Unidos, conscientes da indisfarçável vulnerabilidade de sua segurança decidirem investir nesta área, os subsídios à produção nada têm a ver. Para um orçamento (ano passado) de US$ 9 trilhões, os US$ 32,4 bilhões destinados à agricultura realmente são um valor relativamente modesto, a ser bancado com naturalidade.
Os Estados Unidos deixariam de proteger ''clientes'' do mercado internacional. Hipoteticamente, desistiriam, por exemplo, de emprestar dinheiro para a Rússia, para que ela compre milho e soja americanos. Também não. Os Estados Unidos fazem da sua política agrícola externa um relacionamento político. O jogo, neste caso, transcede o fator mercado.
Conjecturar agora é incorrer em erros elementares.
Mas parece certo que altas de preços de algumas commodities são infalíveis. O trigo certamente custará mais caro, nos próximos dias, para quem importa, venha ele dos EUA, Canadá ou Argentina. Os preços internacionais terão reação imediata.
Em tempo de iminentes catástrofes - políticas ou meteorológicas - alimento é estratégia poderosa, que ninguém quer prescindir.
Aquelas pessoas que, ontem de manhã, voltavam desoladas do local do atentado, não entrariam num shopping para comprar gravatas ou perfumes. Mas, certamente, tratariam de se prover de alimentos.
Moral da história: na guerra comercial os Estados Unidos continuarão na defensiva, via subsídio ou outras formas protecionistas.
No mais, tudo são conjecturas. Prever os preços é tarefa difícil para os estrategistas de mercado. Mesmo assim, eles preferem (pelo menos neste momento) mil vezes, vacilar em on-line com pregões mudos, a ocupar o lugar de Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, que comanda o Pentágono, igualmente atingido.
A maioria dos consultores recomendou uma posição de cautela aos seus clientes como fizerma FNP Consultoria e Mercado; Scot Consultoria, Corretora Granoeste, Safras & Mercados. A sugestão do especialista Antônio Sartori, da Brasoja, de Porto Alegre, resume tudo: ''Não fechem negócio; esperem a poeira assentar.''
O Grupo de Cairns, que agrega os países exportadores agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC) que não se valem da prática de subsídio à exportação do setor pode continuar discursando, condenando à vontade. Agora é que os EUA não vão transigir nos seus subsídios e protecionismos.
LEITURA DINÂMICA
- Foi um dia dramático para as bolsas.
- O mundo dos negócios é muito dinâmico e próximo para alguém supor que atentados terroristas em Nova York e Washington não afetariam os mercados de soja, café, trigo, etc.
- Nova York não é apenas o maior centro financeiro do mundo. Lá estão New York
Board of Trade e a New York Merchantile Exchange, cujos pregões funcionam no World Trade Center.
- World Trade Center que foi riscado do mapa.
- O maior centro de commodities agrícola, em Chicago, não deixaria de ser afetado. A Chicago Board of Trade (CBOT) também não funcionou.
- Essas tragédias são motivo mais que suficiente para o mercado parar completamente no Brasil.
- A pergunta ontem é o que vai acontecer daqui para frente com a política agrícola dos EUA, um país abalado, em vias de rever seus programas de cooperação e intercâmbio comercial.
- Nas bolsas de Frankfurt e Londres, parcialmente suspensas, acusaram recuos espetaculares nas ações de companhias de seguro, afetadas pelas destruições.
- Sobre petróleo (contratos para outubro chegaram a US$ 31,05/barril e fecharam a US$ 29,06, e dólar a R$ 2,66, veja no caderno especial.
DROPS
Soja/Usda O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos adiou para sexta-feira a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do complexo soja.
Soja/hoje É muito provável que o expediente de hoja seja muito fraco. Apatia deve peramencer até segunda-feira da próxima semana, em avaliação do cenário a ser projetado pelo Usda.
Milho/altera Se na segunda-feira os analistas estavam prevendo estabilidade no preço do milho, o quadro pode mudar agora com a valorização do produto no mercado mundial.
Milho/estoque Conab e Ministério da Agricultura confirmam previsão de que o milho chega ao final do ano com o estoque mais baixo desde meados da década de 80.





