Oswaldo Petrin
Entre o fisco e o 'laranja'
O consultor de empresas Milton Dallari denunciou ontem, em Maringá, a atuação de frigoríficos controlados por ''laranjas''. Quando os mais desavisados poderiam supor que essa prática, de tão velha, já tivesse caído da moda, eis que ela está mais presente do que nunca. Principalmente no Paraná, a julgar pelos comentários de Dallari, que já ocupou postos de direção na política de abastecimento e preços do País.
Um dos problemas enfrentados pelos pecuaristas de corte no Paraná não se chama globalização, carga tributária ou custos de produção. O ponto de estrangulamento da atividade está na existência de frigoríficos que, controlados por ''laranjas'', não inspiram confiança no mercado. Na maioria dos casos, eles encerram as atividades de surpresa, deixando prejuízos aos pecuaristas que não receberem pelos animais entregues.
Dallari falou no encontro promovido pela Faep, Sindicato Rural e Sociedade Rural de Maringá. A medida sugerida por Dallari: rastreabilidade dos compradores para expurgar do mercado quem ''arquiteta'' calotes.
É elevado o grau de desconfiança - por parte do bovinocultor de corte - quanto aos seus compradores. Ele está com a razão porque vem sendo comum os frigoríficos suspenderem o abate.
Atrás da quebradeira de frigoríficos - segundo denúncia de Dallari, que a Assessoria da Faep divulgou ontem - estariam organizações que agem de forma ilícita. As indústrias iniciam o abate aparecendo como seus proprietários os testas-de-ferro que, depois de ganharem um bom dinheiro numa região, simplesmente fecham as portas, reiniciando o abate em outros Estados.
Essa prática, segundo Dallari, começou pelo Paraná. O mesmo grupo, sempre utilizando-se de ''laranjas'', partiu depois para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e, agora, se instala em Rondônia.
De Milton Dallari, ontem, aos empresários de Maringá: Basta uma rápida investigação para chegarmos a uma conclusão que os golpistas são sempre os mesmos. Ele, entretanto, preferiu não citar nomes por serem estes conhecidos entre os criadores.
De sua parte, o pecuarista fica numa situação difícil para reclamar seus direitos, porque, segundo Dallari, para obter uma remuneração pouco melhor, opta por vendê-lo, sem emissão de nota. Desta forma -pergunta - como poderá reivindicar seus direitos se legalmente a operação de venda não foi registrada pelo fisco?
A solução, de acordo com o consultor paulista, está numa firme campanha dos pecuaristas para expurgo dos frigoríficos desonestos e em mãos de ''laranjas''. Com isto, haveria uma seleção natural das indústrias idôneas, abrindo espaço ainda para grande frigorífico atuar no Estado de acordo com os preceitos legais e precedido de confiança por parte do mercado pela sua atuação ética em outras regiõs do País.
leitura dinâmica
- Em videoconferência para as Unidades da Embrapa, o Ministro, Pratini de Moraes, apresenta hoje, às 14h (MS), o Plano Agrícola e Pecuário 2001/2002.
- Pratini usará o sistema EmbrapaSat, em Dourados.
- A aguardente de cana brasileira é de baixa qualidade.
- Por isso estão procurando melhorá-la. Pesquisas científicas e trabalhos acadêmicos sobre a cachaça serão premiados.
- A iniciativa é do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça, com a intenção de melhorar a aceitação da cachaça no mercado e estimular estudos sobre a melhoria da bebida.
- Mercado: A Associação dos Fabricantes de Bebidas (Abrabe) acredita que o setor ainda não explorou toda a sua potencialidade no mercado externo.
- A estimativa é que as exportações alcancem US$ 30 milhões, mas no ano passado o Brasil embarcou apenas US$ 8,5 milhões (AE).
DROPS
Milho/oferta O mercado do milho iniciou a semana mais ofertado. Neste sentido pode-se prever que os preços não devem sofrer novos reajustes ao longo desta semana. O motivo da oferta maior é que os produtores já começam a aceitar os preços oferecidos pelas agroindústrias, uma vez que necessitam de recurso para iniciar a plantação da safra 2001/2002.
Milho/FNP Esta informação foi dada ontem pelo analista da FNP, Adriano Timossi. Ele também constatou que o interesse das indústrias pelas compras é menor neste início de semana.
Milho/vendas ''Acreditamos que para as regiões onde o mercado está comprador este é o momento para o produtor realizar suas vendas parceladas, buscando garantir uma rentabilidade média, ao invés de ficar fora do mercado no aguardo de uma possível alta'', sugere Timossi.
Milho/P.Grossa Mas, em Ponta Grossa, o preço máximo da Cotação de Compra pelos Atacadistas (convênio Sima/Seab) manteve o preço máximo de R$ 11,80, variando a partir de R$ 9,00. Este preço é determinado pela indústria.
Milho/Curitiba Em Curitiba, preço variou entre R$ 9,50 e R$ 9,60. Em Apucarana, preço máximo foi de R$ 9,20. Mercado estável em quase todas as regiões.
Milho/Toledo No Oeste e Sudoeste do Paraná, grandes centros consumidores, a demanda se mantém no mesmo rítmo e o preço, em Toledo, ontem, variou entre R$ 9,60 e R$ 9,70/saca.
Área menor Enquanto isso, as informações sobre redução da safrinha e forte redução de área aumentam a expectativa de escassez do milho a partir de outubro/novembro, com inevitável alta do produto. A alta do dólar ontem (R$ 2,60) aumenta esperança de novas exportações de milho.
Milho/dólar O Brasil fecha o ano exportando 4 milhões de toneladas de milho. (Mérito das cooperativas). Este mercado terá que ser mantido ano que vem.





