Oswaldo Petrin
Fora da cena
O governo, temeroso das consequências de um déficit comercial e suas implicações na economia, tem razão para comemorar o bom desempenho parcial das exportações agropecuárias (ver nesta página).
Os agricultores, porém, nem tanto.
Ontem, enquanto o ministro Pratini anunciava, em Punta del Este, superávit da balança, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), divulgava dois diagnósticos cujos dados vão contra os interesses dos produtores.
Um desses relatórios mostra a perda de renda dos produtores. O Valor Bruto da Produção (VBP), que reflete o faturamento bruto da agricultura, registrou uma queda de 0,2% no primeiro semestre deste ano contra igual período do ano passado, caindo de R$ 49,5 bilhões para R$ 49,4 bi.
A diferença não é grande, convenhamos, mas contrasta com outro número, o da safra recorde de grãos, que vem sendo repetidamente anunciada a cada relatório do IBGE.
O aumento da oferta de alimentos beneficiou a sociedade com produtos agrícolas da melhor qualidade a preços menores às custas da transferência de renda da agricultura, como analisa um técnico da CNA.
A estimativa também foi divulgada ontem pelo departamento econômico da CNA. O chefe do departamento, Vicente Nogueira Neto, informou (a Agência Estado) que a projeção está sendo feita com base em um crescimento acumulado de 0,17% verificado nos primeiros seis meses deste ano.
O resultado do PIB do agronegócio - que conjuga todos os segmentos que integram os negócios da agricultura e pecuária, desde a produção até a distribuição - , só não foi negativo nesses primeiros seis meses do ano porque o agronegócio do setor pecuário cresceu 1,85% na comparação com o ano passado.
LEITURA DINÂMICA
- Sete meses depois de terem interrompido suas compras de carne bovina brasileira, por suspeita do mal da vaca louca, os Estados Unidos retomaram esta ontem as negociações com o Brasil para importar o produto.
- A informação é da Agência France Presse, que ouviu o ministro Pratini de Moraes em Punta del Este, onde participa da 23 Reunião do Grupo de Cairns, exportadores de produtos primários.
- A secretária de agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman, comunicou a Pratini que Washington deseja retomar suas importações de carne brasileira e inclusive ampliá-las.
- Pratini teria dito à France Presse: ''Não quero prever nada mas esperamos chegar a um acordo antes do final do ano'', disse o ministro.
- Na verdade, o Brasil vem negociando a retomada das exportações para os EUA desde o fim da suspensão das compras pelo Nafta - Canadá, EUA e México.
DROPS
Soja/Chicago A soja fechou em baixa de 0,75 centavos de dólar por bushel ontem, na Bolsa de Chicago, nos contratos de setembro: US$ 4,78/bushel (US$ 10,54/saca de 60 kg).
Relatório/Usda O mercado foi influenciado por exportações semanais baixistas, divulgadas ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Óleo O mercado do óleo de soja e farelo, foi arrastado pelos preços do grão. Também houve influência do mercado de óleo de palma da Malásia se mantém em queda há dois dias.
Soja/Cascavel Os preços da Chicago Board of Trade exerceram influência no mercado interno. Foram poucos os negócios no Oeste (R$ 25,00 a R$ 27,00, em Cascave), e no Norte (R$ 24,40 a R$ 26,00 em Maringá).
Soja/P.Grossa Em Ponta Grossa, preço máximo foi de R$ 29,00, variando a partir de R$ 25,50. Em Apucarana um preço baixo para a soja R$ 24,00 a R$ 26,00 (cotação de compra pelos atacadistas Sima/Deral).
Paranaguá Em Paranaguá houve poucos negócios a preços que ficaram entre R$ 29,00 e R$ 29,30. Expectativas para hoje não mudam. Feriado de sexta-feira adia decisões de compra para a próxima semana.
Safra/EUA As boas condições das lavouras norte-americanas também foram consideradas ''fator baixista'' para fins de especulação em Bolsa, ontem.
Tendência O analisa da FNP Consultoria & Comércio, Adriano José Timossi, pondera, entretanto, que o números do Usda mostram que não houve aumento na taxa de progresso das lavouras, como o mercado esperava. Alguns traders, mais otimistas, acreditavam em um aumento de até 5 pontos.
Soja/hoje ''Poderíamos crer em um ambiente favorável ao mercado da soja na Bolsa de Chicago para o dia de amanhã (hoje). Resta aguardar para conferir'', disse Adriano. Entretanto, traders acreditam que o mercado tenta manter-se estável ao longo desta semana, até que sejam divulgadas as estimativas privadas sobre a safra 2001/02.
Boi/indicador O valor à vista em reais do indicador do boi gordo Esalq/BM&F fechou ontem a R$ 42,10/arroba, com queda de 0,09% no dia. Em dólar, o preço fechou a US$ 16,42/arroba, queda de 0,18%. A prazo, a cotação ficou em R$ 42,96/arroba, com recuo de 0,05%. Veja também na página 4.
Milho Mercado praticamente parado, sem oferta. Com exceção de algumas praças de Minas Gerais, quem tem a mercadoria segura como pode, apostando na alta provocada pelas previsões de redução de área.
Milho/P.Grossa Cotação de compra pelos atacadistas (Sima/Deral) apontou variação entre R$ 9,00 e R$ 11,80. Preço válido para Ponta Grossa. Em Curitiba preço máximo foi de R$ 10,00.
Milho/indicador O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 12,31/saca de 60 kg, com alta de 0,74% no dia. Em dólar, a cotação ficou em US$ 4,80/saca, com ganho de 0,63%. O valor a prazo ficou em R$ 12,30/saca, com perda de 1,60%.





