Mercosul resiste



Ao mesmo tempo em que o resultado da balança comercial em agosto, divulgado ontem, não empolga muito o governo -que continua preocupado com seu déficit no longo prazo -, em Punta del Este (Uruguai), o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, parece aglutinar os parceiros do Mercosul em torno da propsota brasileira.

Seguinte: o Mercosul manterá posição fechada a respeito da prioridade do tema agrícola em uma nova rodada multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que poderá ser lançada em novembro no Catar. ''É clara a disposição do Mercosul em assegurar que a rodada multilateral da OMC se realize com prioridade na questão agrícola.

O Brasil participa da reunião do Grupo de Cairns, composto pelos principais países exportadores agrícolas da OMC, que estará reunido até quarta-feira em Punta del Este. Segundo especialistas, em depoimento à Agência Estado, ontem, Tal posição fechada coloca o Mercosul como a coalizão mais radical na defesa da abertura mundial do mercado agrícola.

Estados Unidos e União Européia têm reduzido os subsídios à exportação mas tem aumentado seu protecionismo interno. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a UE concedeu US$ 103 bilhões em subsídios no ano passado. Trata-se do mercado que mais resiste à abertura agrícola e também daquele que absorve quase 50% das exportações de produtos básicos do Brasil. Os Estados Unidos destinaram US$ 92 bilhões, e o Japão, US$ 73 bilhões, no ano passado. Estimativas feitas pela organização do Grupo de Cairns indicam que os países desenvolvidos concedem US$ 1 bilhão ao dia em subsídios aos seus produtores.


LEITURA DINÂMICA

- Ao término do inverno, concluindo que as vendas não decolaram, o comércio partiu para promoções. E pelo jeito as promoções terão carater permanente.

- Enquanto o atacado perde espaço, por questões estruturais, o varejo perde a liquidez, por razões conjunturais.

- No mais ativo varejo da América do Sul, o de São Paulo, 83% dos comerciantes afirmam que continuam com as promoções. E não são ponta de estoque.

- O consumidor sumiu. Motivo é óbvio: falta de reajustes de salários entre a população ativa que trabalha e falta de trabalho entre os economicamente inativos mas sem dinheiro no bolso.

- Trocadilho à parte, ontem chegou outra informação, não oficial: o comércio - de bens duráveis - será extremamente cauteloso nas encomendas para as festas de Natal e virada do ano.

- A Abia (indústria de alimentos) ainda não aposta num deslocamento de consumo e manterá sua produção em rítimo de recessão. O Brasil de FGC não dá giro.


DROPS



Soja Sem expediente na Bolsa de Chicago - ontem foi feriado nos Estados Unidos - o mercado não teve referencial e se comportou de forma cautelosa, quase defensiva. No Paraná foram poucos os negócios prevalecendo os valores de sexta-feira. O mercado vem funcionando sob influência das boas condições de clima que favorecem o desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Veja mais na página 4.

Paranaguá Poucos negócios realizados ontem no Porto de Paranaguá mantiveram os preços de sexta-feira e sábado: R$ 28,50. A previsão é que o feriado de sexta-feira, dia 7, mantenha o mercado calmo esta semana.


Milho/previsão A FNP Consultoria e Mercado, de São Paulo, divulgou ontem a sua estimativa de safra: ''Segundo o levantamento de safra realizado em agosto, a produção brasileira de milho está estimada em 36 milhões de t, uma redução de 14% na produção alcançada em 2000/01, ante os 38 milhões apresentados no levantamento precedente''. Acrescenta a FNP: ''A oferta total é estimada em 41 milhões de t e a demanda em 39,6 milhões de t. Se esses números se concretizarem, teremos um novo período de preços altos.

Milho/fatores Os números divulgados no mês anterior foram reajustados, em decorrência de três fatores. O primeiro se refere aos preços do milho no mercado interno ao longo do período, que permaneceram em um patamar de crescimento inferior ao obtido no mesmo período do ano safra anterior. Dessa forma, o mercado não apresentou grandes modificações na comercialização, já que os aumentos de preços oferecidos por parte das agroindústrias não foram suficientemente atrativos ao produtor.

Milho/indústrias O segundo fator diz respeito às políticas de negociação da nova safra, adotadas por agroindústrias, que estabeleceram o preço mínimo de R$ 10,00 por saca, como em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, valor considerado muito baixo.

Muito tarde E, por último, as políticas divulgadas pelo governo, embora ainda em discussão, estão sendo consideradas tardias pelo mercado. Permanece, assim, a tendência de que muitos produtores optem pela soja na safra de verão, deixando o milho para o plantio de safrinha, quando os preços devem ser melhores - comenta o analista Adriano José Timossi

Milho/alta Como se observa, em quase todas as semanas há um comentário de técnicos das cooperativas, da própria indústria ou de empresas de consultoria, apontando preços altos para o milho, a partir da redução acentuada de área na próxima safra. Muita gente vai vender milho aos níveis de outubro/novembro do ano passado, entre R$ 13,50/14,00/saca.

Milho/Ponta Grossa Mercado fraco na região Sul. Cotação de compra pelos atacadistas, ontem, segundo o SIMA/Deral: entre R$ 9,30 e 11,,50/saca. Em Apucarana, entre R$ 9,60 e R$ 9,70. Em Rolândia, segundo atacadistas, o preço máximo puxou mais que Apucarana e Cornélio Procópio, batendo nos R$ 10,00, mas variando - no atacado -, variando a partir de R$ 9,50.

Milho/Toledo A cotação de compra pelos atacadistas de Toledo, ontem, ficou entre R$ 9,60 e R$ 9,70/saca. Em Curitiba, atacado variou entre R$ 9,50 e R$ 10,00.

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