''Rombo'' cambial


O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, falou ontem para esta coluna sobre a polêmica das promoções que o varejo promove com os produtos hortifrutigranjeiros, que incomoda os fornecedores - os que bancam, em última análise, essas promoções.

Este assunto, porém, fica para amanhã. Hoje o destaque é o prejuízo causado por um novo erro do governo, o da política cambial.

Conforme a Agência Estado, a desvalorização cambial de 18% no primeiro semestre deste ano provocou um prejuízo de R$ 4,084 bilhões no balanço do Banco Central no período e a conta será transferida para o Tesouro Nacional para ser paga pela sociedade. O balanço da instituição foi aprovado ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, segundo o diretor de Administração, Edison Bernardes, o prejuízo dos primeiros seis meses do ano ocorreu por causa de uma diferença entre o que o BC deve em dólar e o que tem a instituição tem a receber. Ou seja, o passivo e o ativo atrelado à moeda americana.

O passivo do BC vinculado ao dólar são os títulos cambiais que estão no mercado. São as Notas do Banco Central - Série Especial (NBC-E). O ativo que tem variação cambial são as reservas internacionais, que são aplicadas no exterior, e os títulos cambiais emitidos pelo Tesouro Nacional, mas que foram comprados pelo BC. Em reais, o passivo com variação cambial fechou o mês de junho em R$ 168 bilhões, enquanto o ativo ficou em R$ 132 bilhões. A diferença da correção entre os dois ficou em 11,75 pontos porcentuais.

O prejuízo do BC é bancado por toda a sociedade porque o resultado da instituição é transferido para o Tesouro Nacional, que emite títulos e cobre o buraco.


LEITURA DINÂMICA



- O ministério da Saúde do Canadá anunciou nesta quinta-feira novas restrições à importação de sangue e plasma europeus devido ao temor da doença de Creutzfeldt-Jakob, variante humana do mal da vaca louca.

- O país passará a proibir a importação de sangue de doadores que tenham estado mais de três meses na Grã-Bretanha ou na França entre 1980 e 1996, anunciou em comunicado o ministério da Saúde canadense.

- ''Esta medida está sendo adotada para reduzir ainda mais o risco de transmissão pelo sangue da doença de Creutzfeldt-Jakob'', diz o comunicado (France Presse).

- O Canadá havia imposto suas primeiras restrições em 1999. A província de Quebec adotou medidas mais severas, proibindo a doação de sangue de toda pessoa que tenha estado um mês ou menos na Grã-Bretanha.
DROPS

Reposição As boas notícias sobre exportação de carne, com a ampliação do mercado, campanhas promocionais, etc, refletem em outros setores, como o da reposição, que está em alta.

Expo Agrishow De Presidente Prudente vem a informação que um garrote que há um ano valia R$ 400,00, já encosta nos R$ 500,00. Esses preços costumam variar muito conforme a idade, peso e raça (mestiços, anelorados e nelores). Nos últimos 12 meses o preço do bezerro de 8 a 12 meses também passou de R$ 300 para R$ 380.

Boi verde ''O conceito de boi verde está em alta em todo o mundo. Com isso, as exportações tendem a crescer ainda mais'', afirma o pecuarista Rubens E. Ferreira, de Prudente. A arroba do boi gordo que vale em torno de R$ 43 equivale a US$ 17. ''Historicamente, o preço da arroba em agosto gira em torno de US$ 20. Daqui a dois anos, o preço deve voltar a esse patamar'', prevê Ferreira.

Oportunidade Quem ainda não adquiriu gado para reposição deve fazê-lo nas próximas semanas, na opinião do zootecnista João Mustafá. ''As condições climáticas estão ideais para a reposição. Um inverno não rigoroso e as chuvas dos últimos dias colaboraram com as pastagens'', disse ele. E o boi magro oferecido em leilões não está tão magro, mas a ''meia-carne''.

Leilão Mulher A pecuarista Dionizia Biondo de Souza, pentacampeã nacional de Nelore Mocho, concorda que o momento é propício para a compra de gado de reposição. ''As pastagens estão boas para a engorda'', disse ela, que é organizadora do Leilão Mulheres e uma das participantes do Leilão PrudenMocho - dois leilões de corte da Expo Agrishow: de 6 a 16 de setembro, em Prudente.

Bezerro/Bolsa O indicador do preço do bezerro da Esalq/BM&F fechou ontem a R$ 1,816/kg, queda de 1,30%. O preço a prazo fechou a R$ 1,836/kg, alta de 0,48%.


Soja/Usda Contratos de setembro fecharam ontem a US$ 4,73/bushel (US$ 10,43/saca de 60 kg), uma queda de 7 centavos de dólar por bushel. Segundo o analista da FNP, Adriano Timossi, a baixa no mercado foi pressionada não somente pelas condições climáticas favoráveis às lavouras mas também pelo relatório de exportações semanais, divulgado ontem Usda.

Paranaguá No Porto de Paranaguá, a saca da soja foi cotada a R$ 28,50, sem realização de negócios. Nas demais praças, praticamente não houve reação.

Soja/indicador O indicador de preços da soja Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 28,05/saca, alta de 0,21%. Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,07/saca, alta de 0,73%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços de mercado em cinco praças do Estado do Paraná.

Milho reage Pela primeira vez este mês o preço do milho dá sinais de reação. As indústrias devem voltar no mercado no início de setembro, depois de um longo perído operando apenas ''da mão para a boca'', como se convencionou chamar as compras em pequena escala, parcimonisas, para manter os preços em baixa. Veja mais informações sobre o mercado na página 4.

Milho/indicador O indicador de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 12,26/saca de 60 kg, alta de 0,99%. Em dólar, a cotação ficou em US$ 4,84/saca, alta de 1,68%. O valor a prazo ficou em R$ 12,50/saca, estável.

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