Oswaldo Petrin
Um documento de 44 páginas apresentado ontem pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ao Itamaraty contém sugestões de vários setores agronegócio para elaboração da contraproposta do acordo bilateral que o Mercosul irá entregar a União Européia, no dia 31 de outubro.
Esta contraprposta - isto é o acordo -, muito mais que as questões regionais do Mercosul, vai permear toda a política de preços internos refletindo no setor primário e nas cadeias produtivas dos produtos de exportação. Segundo especialistas, ninguém sairá incólume do que vier a acontecer depois do acordo. Isto vale tanto para produto de acentuada vocação para exportação (carnes e grãos oleaginosos), como para os produtos de forte peso na importação (caso do trigo).
O documento apresenta um relato sobre o potencial de cada produto nos mercados interno e externo, assim como sobre as barreiras que limitam a venda de cada um deles à União Européia. Foram incluídos os principais produtos do agronegócio, como carnes, açúcar, lácteos, soja, café, óleo de soja, frutas, fumo e couros e peles, entre outros.
Na proposta, a UE propôs negociar apenas a retirada gradual das tarifas ''ad valorem'' que incidem sobre os produtos agrícolas, o que representa apenas 18% do volume de comércio entre os dois blocos econômicos. Assim, tarifas específicas, cotas de importação e subsídios não entrariam na negociação. ''As carnes brasileiras, suco de laranja, açúcar e café solúvel, que respondem por mais de US$ 4 bilhões das nossas exportações ficariam fora do acordo, segundo coordenador do Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais da CNA, Gilman Viana Rodrigues à Agência Estado.
No segmento de carnes os empresários brasileiros, representados pela Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec), querem a inclusão da carne ''in natura'' nas negociações. A UE quer incluir apenas miúdos e carne em conserva (corned beef), o que representa apenas 28% das vendas externas de carne brasileira para aquele mercado.
A diferença entre os fatos que antecedem este em relação a outros acordos, é que o Brasil vive o momento mais favorável tem termos de mercado internacional.
- As perdas econômicas do Reino Unido com a febre aftosa vão alcançar 4 bilhões de libras esterlinas durante o atual ano fiscal, e os efeitos da doenças se estendem muito além das economias agrícolas, segundo informou ontem a agência Countryside.
- Cerca de 1 bilhão de libras esterlinas são resultado do impacto negativo da crise agropecuária no Produto Interno Bruto.
Órgãos de consultoria recomendam ao governo que adote um programa piloto de vacinação na tentativa de erradicar a doença.
- Desde que a febre aftosa foi diagnosticada pela primeira vez no Reino Unido, no dia 20 de fevereiro, surgiram 1.989 focos da doença.
- Cerca de 3,7 milhões de animais infectados ou com suspeita de infecção foram sacrificados até agora, segundo a AE-Dow Jones.
- Cerca de 1,4 milhão de animais foram sacrificados na tentativa de aliviar problemas sociais nas regiões onde o trânsito foi restringido.
DROPS
Registro de Terra Foi sancionada pelo Presidente da República a lei que cria o Sistema Público de Registro de Terras. Pela lei, os imóveis rurais passam a ser identificados por meio de um código único, que permitirá o cruzamento de informações do Incra, da Receita, dos cartórios e de órgãos como Ibama e Funai.
Grilagem O Governo espera reverter o domínio de 150 milhões de hectares que, de acordo com estimativas, são fruto de grilagem, conseguida com violência e desrespeito às leis.
Cadastro Para o cadastramento, será determinada a localização geográfica e a área total do imóvel, com a exigência de um memorial descritivo georreferenciado ou seja, com imagens digitais obtidas através de monitoramento por satélites, utilizando as coordenadas geográficas, distinguindo relevos, rios, altitudes, etc.
Cadastro 2 Foi formado grupo de trabalho que terá 180 dias para elaborar uma minuta para a regulamentação da Lei e definição de como será
estruturado o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR), que unificará os
dados de todos os cadastros de imóveis rurais.
Soja/Chicago Contratos para novembro fecharam em alta de 6,75 centavos de dólar por bushel: US$ 4,85/bushel (R$ 10,69/saca). Reação foi atribuída à ''compras técnicas'', mas mercado mantém ambiente de baixa.
Alta A expectativa é de que o mercado continue lento até a próxima semana. O próximo ''relatório de progresso da safra'' a ser divulgado na terça-feira pode ser o principal formador de preços na Chicago Board of Trade.
Soja/Paranaguá Negócios fracos em todo o Estado. No Porto de Paranaguá, segundo o analista Adriano Timossi, foram reportados negócios de pequenos de lotes a R$ 29,15/saca.
Milho/muda O mercado do milho começa a mudar, com indústrias de Santa Catarina procurando se abastecer com produtos paranaenses. Segundo Adriano Timossi, da FNP, a expectativa é de que o mercado apresente maior liquidez na próxima semana, quando os produtores devem ofertar parte da produção, uma vez que têm contas a pagar no inicio do mês.
Paranaguá Preço do milho ontem no Porto de Paranaguá: R$ 12,80, sem alteração em relação aos preços do início da semana. Câmbio estável (R$ 2,55) não tem ajudado as vendas externas do milho esta semana.
Ponta Grossa Cotação de compra pelos atacadistas (Sima/Deral) de Ponta Grossa, ontem: variação entre R$ 9,00 e R$ 11,50. Poucos negócios.
Paranavaí No Noroeste variação entre R$ 8,30 e R$ 10,00/saca. Os preços mais baixos foram pagos em Jacarezinho, Irati e União da Vitória, variando entre R$ 8,80 e R$ 9,30/saca na cotação de compra pelos atacadistas.





