Crise deve varar o ano



Do economista José Moraes Neto, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecom) do Paraná e professor de economia industrial da UFPR, à esta coluna, ontem:

O Brasil tem que rever urgentemente a sua inserção no atual contexto econômico; o modelo que aí está, adotado a partir de 1990, já se esgotou. Não adianta o presidente FHC bradar que a ordem é ''exportar ou morrer''. Não haverá superávit comercial suficiente para financiar esse enorme déficit de transações correntes.

Além do mais, a busca da soluções via exportação encontra um complicador muito claro lá fora: o mundo todo está em recessão.

É um desafio fechar uma balança que oscila entre US$ 26 bilhões e US$ 28 bi, com um diferencial (furo!) de US$ 12 bi. O estrangulamento nas contas externas só agrava os problemas estruturais, que são sérios.

No curto prazo, o professor também não acredita na recuperação da economia no primeiro semestre. Com empresas dando férias coletivas, reduzindo sua capacidade de produção, não há categoria que viabilize acordo coletivo. Com salários defasados não há demanda.

Qualquer ação de médio ou longo prazo que vislumbre solução, tem que passar por nova orientação da política econômica. A política econômica de Pedro Malan, de ter, obstinadamente, que gerar superávit, é um modelo que se esgotou. Esta política está tolhendo investimentos. As amarras externas estão impedindo melhor distribuição de renda e um crescimento mínimo.

O professor não defende uma volta ao modelo anterior - do Estado autárquico e fechado -, porque o processo global é irreversível. Mas é necessário mudar de postura, agora, para evitar um estrangulamento pior, que é iminente. O chamado ''consenso de Washington'' já era; é preciso romper com ele.

Sem essa revisão, não há perspectiva de mudança este ano. É preciso uma revisão de postura econômica já, para tentar a retomada do crescimento e de alguns avanços sociais ano que vem.

O desafio é levar o contencioso recessivo em banho-maria até o próximo ano.

A campanha da sucessão presidencial, ano que vem (que poderia, por interesses políticos, trazer aquecimento da economia mesmo que localizado), é complicador da situação.

Campanhas políticas só atrapalham o planejamento econômico. Medidas de ajustes deixam de ser adotadas por questões eleitorais; depois elas acontecem como bombas de efeito retardado.

O professor José Moraes Neto concorda com esse pensamento e acrescenta que isto ocorreu em pelo menos duas oportunidades. O Plano Cruzado, no governo Sarney, não foi corrigido porque precisava dar sustentação às eleições para governadores. Já no Plano Real, quando da reeleição de FHC, o câmbio foi mantido engessando porque o governo precisava mostrar que a moeda nacional, o real, era forte. Com uma política cambial inflexível, as consequências eclodiram meses depois da reeleição.

DROPS


Leite/CPI O representante da Confederação de Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil, Nelson Foss, pediu ontem, em depoimento perante a Comissão de Agricultura e Política Rural, uma CPI do Leite, para que seja apurada a questão dos baixos preços do produto no mercado.

Parmalat Em seguida, falou o diretor institucional da Parmalat, Jorge Parente Frota Junior, que negou existir cartel no mercado. De acordo com ele, 75% da produção são dispersos e comercializados de várias formas. ''Apenas 25% são comercializados por onze empresas, o que não configura cartel''. Agência Câmara.

Soja/Chicago Quando parecia retomar sua agressividade habitual, depois de vários dias calmos, a Bolsa de Chicago fechou em baixa, ontem, após análise do relatório do Usda, sobre a safra norte-americana. Traders passaram a acreditar numa melhor performance da safra.

Soja/queda Os preços dos contratos para setembro fecharam a US$ 4,75/Bushel (US$ 10,47 por saca de 60Kg), uma queda de 3,5 centavos de dólar por bushel.

Relatório Conforme o Usda, 52% das lavouras de soja encontram-se em boas condições, não havendo nenhum progresso, quando comparado à semana anterior. Ainda segundo o relatório, cerca de 94% das lavouras encontram-se com vagens formadas (87% na semana anterior).

Mercado calmo O mercado interno permanece calmo, com poucos negócios no Paraná e o Centro-Oeste. Mas, segundo o analista Adriano José Timossi, o mercado aposta numa possível alta para os próximos dias, que pode vir a se confirmar, desde que as previsões climáticas nos EUA tornem-se desfavoráveis.

Milho Mercado calmo, praticamente sem oferta. As informações de que a redução de área deve ser confirmada pelo Ministério da Agricultura na próxima semana, aumentaram ontem as chances de alta a partir de setembro.

Milho/dólar Comentário do analista da FNP, Adriano Timossi, ontem: ''As melhores vendas acontecem em regiões dispersas, não somente em decorrência de demanda de agroindústrias regionais, PEP, mas também pelo lado do mercado exportador, favorecido pelo câmbio nos últimos dias.

Paranaguá Em Paranaguá, o preço da saca de milho oscilou entre R$ 12,80 a R$ 13,00. Nas demais praças, poucos negócios, com preços variando muito a partir de R$ 9,50, mas sem oferta e com poucos compradores.

Ponta Grossa Cotação de compra pelos atacadistas de Ponta Grossa, ontem, segundo o Sima/Deral: R$ 9,00 a R$ 11,80. Em Jacarezinho, entere R$ 8,80 e R$ 9,30.

Milho/Apucarana O preço do milho em Apucarana chegou ontem a R$ 10,00/saca, pagamento à vista. Mas predominaram os preços entre R$ 9,60 e R$ 9,80/saca. Veja na página 4, informações sobre leilão de Milho.

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