-O déficit da balança comercial (em julho foi de US$ 811 milhões), aliado a outros gargalos internos, mantém o risco de iminente mudança cambial. As agências de notícia informaram que ontem foi um dia ‘‘de preocupação’’ nas bolsas. A cada dia, tem-se a impressão de que o governo vai promover mudanças no câmbio. É assim que os analistas estão vendo a conjuntura. As determinantes seriam pelo menos três: 1) problemas na balança, 2) crise cambial na Ásia e 3) a desvalorização das moedas européias frente ao dólar. Pode-se acrescentar o aumento dos juros norte-americanos.
-O mercado de câmbio esteve agitado. As mesas de operações já iniciaram o dia com notícias nada favoráveis ao câmbio. Mais uma vez, as moedas de países do Sudeste Asiático registraram baixas. Foram os casos de Malásia, Cingapura, Tailândia e Indonésia. Mas só esse fato, desta vez, seria pouco para mexer com o mercado de câmbio. Junto a isso, veio também a alta dos juros norte-americanos.
-A boa performance da balança é suficiente para contrapor o risco? Não. Mas alivia saber que a balança comercial nas duas primeiras semanas de agosto (seis dias úteis) registra superávit de US$ 186 milhões e tendência de melhora do desempenho exportador de produtos manufaturados. No entanto, o resultado não deverá permanecer positivo até o final de agosto. Ou seja, é improvável a confirmação de um superávit de US$ 651 milhões, a cifra projetada se forem mantidas as médias diárias de importação e exportação.
-‘‘Há movimento de recuperação das exportações a cada mês, que não perdeu fôlego em agosto. Mas no final do mês, as importações dão a pancada’’,
afirmou José Roberto Mendonça de Barros, secretário de Política Econômica. Ele apresentou os dados à Agência Estado, ontem. As exportações somaram US$ 1,473 bilhão contra US$ 1,287 bilhão de importações.
-A soja deu nova grande contribuição para o equilíbrio da balança cambial. Os números dos seis dias úteis de agosto mostram que houve aumento dos embarques de soja (87%). Mas não foi o único setor a colaborar; outros setores aumentaram sua participação: produtos metalúrgicos (55%), material de
transportes (29%), produtos químicos (19%) e equipamentos mecânicos (24%).
-Sobre o risco de mudança cambial este jornal consultou, dias atrás, o professor Ismael Mologni, de Londrina. Segundo ele, o ajuste cambial em países de economia emergente como o Brasil, e que trabalham com câmbio valorizado, é sempre iminente. E medidas de impacto na área cambial que venham a ser adotadas em países asiáticos podem perfeitamente repercutir em outros blocos econômicos. É ilusório, portanto - segundo Mologni - achar que a política cambial brasileira sai incólume desses reflexos.
-Considerando o nervosismo de ontem no mercado cambial e observações como a de Mologni e outros analistas, é bom ficar de olho. Cafezinho

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