Oswaldo Petrin
Fonte do Ministério da Agricultura confirmou ontem que o governo ''não afasta a hipótese'' de reduzir o percentual de álcool anidro na gasolina, mas isso só seria conhecido em setembro. A fonte, no entanto, negou que existam sinais de possíveis desabastecimento.
Mas antes mesmo da notícia se confirmar (ontem a medida foi novamente cogitada) os produtores e a indústria moageira - destilarias e usinas - já se movimentam. A ameaça do governo de reduzir novamente o porcentual de mistura de álcool anidro na gasolina de 22% para 20%, caso houvesse risco de desabastecimento de álcool nos próximos meses, funcionou. Em reunião com o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, os produtores de açúcar e álcool do Centro-Sul e do Nordeste entregaram um documento no qual se comprometem a garantir o abastecimento.
Segundo divulgou a Agência Estado, no documento, assinado pela União da Agroindústria Canavieira (Unica) e pelos sindicatos da indústria do setor, foram apresentadas duas alternativas para evitar o desabastecimento: reduzir a produção de açúcar nos meses de setembro/outubro e novembro próximos, produzindo mais álcool; e antecipar a moagem de cana da safra 2002/2003 de maio para abril do ano que vem.
Com a antecipação, os produtores asseguraram que poderão produzir um volume não inferior a 300/310 milhões de litros, mesmo que a cana-de-açúcar não esteja no melhor mês para colheita.
''Os produtores garantiram que têm condições de suprir o abastecimento tanto de álcool anidro como de hidratado no período de entressafra, que começa no final do ano e vai até maio'', informou Camargo Neto - entrevista a Gecy Belmonte, da AE.
Camargo Neto informou que irá encaminhar o documento entregue pela indústria do açúcar e do álcool ao ministro Pratini de Moraes, que preside o CIMA. Pratini deverá marcar uma reunião do Conselho para analisar a proposta e examinar outras alternativas que garantam o abastecimento de álcool. Pedro de Camargo Neto informou que o Ministério da Agricultura já discutiu com a Petrobras a operacionalização dos leilões de álcool dos estoques do governo - estimados em 300 milhões de litros - a partir do final do ano, caso isso seja necessário.
LEITURA DINÂMICA
- O governo está monitorando de perto a produção e o mercado sucroalcooleiro, especialmente pelo aumento das exportações de açúcar.
- Além dos estoques oficiais de álcool, a previsão é de que haverá um excedente de 200 milhões de litros procedente da safra deste no do Nordeste (2001/2002).
- A colheita do Centro-Sul, por sua vez, termina em novembro e está estimada em 275 milhões de t.
- A produção de álcool deverá ficar em 9,2 bilhões de litros e a de açúcar de 14,2 milhões de toneladas, aproximadamente.
- Para a safra 2002/2003 a estimativa é de uma colheita de cerca de 300 milhões de toneladas de cana.
DROPS
Kyoei/seguro A sucursal de Londrina da Kyoei do Brasil Cia. de Seguros foi campeã do 1º Concurso de Produção Nacional de Vendas promovido pela empresa. Equipe é dirigida por Valdir Custeódio de Oliveira.
Soja/queda O mercado da soja voltou a cair ontem na Bolsa de Chicago, fechando a US$ 4,81/bushel (US$ 10,60/saca de 60 Kg), uma queda de 5,75 centavos de dólar por bushel. Motivo principal, de novo, foram as chuvas nas lavouras do meio-oeste dos Estados Unidos.
Exportações Outro fator foi a redução das exportações semanais por parte dos EUA, conforme o relatório do Usda. O relatório faz referência a um cancelamento de compra de 53 mil toneladas de soja da safra 2001/02. O mercado acredita que o comprador seria a China, o que causa certa apreensão entre os produtores estadunidenses.
Reflexo Segundo o técnico Adriano Timossi, da FNP, o cenário de queda, aliado ao câmbio em baixa (comercial-venda R$ 2,5300) desfavoreceu o mercado interno da soja nesta quinta-feira.
Paranaguá No porto de Paranaguá, os preços da saca de soja permaneceram entre R$ 29,00 e 29,50. Para sexta feira, o mercado não deve apresentar grandes alterações de preços, desde que não aparece nenhuma previsão climática desfavorável, o que não é esperado pelo mercado. Veja mais na página 4.
Soja/Indicador O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 27,63/saca, queda de 1,22%. Em dólar, o indicador ficou em US$ 10,91/saca, queda de 1,71%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços disponíveis em cinco praças do Estado do Paraná.
Milho/estável Preço do milho manteve os mesmos níveis de quarta-feira. Praticamente não houve oferta ontem no Paraná, exceção de pequenos lotes no Sudoeste, negociados com granjas de suínos e aves. As indústrias também não estão demandando.
Milho/Ponta Grossa Melhor preço foi pago ontem em Ponta Grossa, variando entre R$ 9,00 e R$ 11,50 posto indústria. Condição: Cotação de compra pelos atacadistas, tendo como fonte o Sima/Deral.
Milho/Apucarana Em Apucarana cotação de compra pelos atacadistas manteve o milho entre R$ 9,50 e R$ 9,80. Pequenas vairações em Maringá, Campo Mourão. Em Pato Branco variou entre R$ 9,00 e R$ 9,50.
Milho/indicador O indicador de milho no atacado paulista, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 12,05/saca de 60 kg, queda de 0,50%. Em dólar, a cotação ficou em US$ 4,76/saca, queda de 1,04%. O valor a prazo ficou estável em R$ 12,00/saca.





