Oswaldo Petrin
O Brasil é dividido em dois tipos de brasileiros: os que trabalham e os que só aprontam. Os que trabalham são maioria, graças a Deus. Mas às vezes as decisões dependem dos que aprontam.
Cenas desse paradoxo exitem todos os dias, nas cidades e no campo. Mas a cena dessa semana, que ilustra bem essa dicotomia, tem como personagem central o feijão, alimento patriótico.
Enquanto, na mídia, abundam as notícias sobre escândalos, corrupção, manobras políticas, etc (que vêm da ala dos que só aprontam, onde se encaixam também os políticos), numa sala do Iapar, em Londrina, 150 técnicos dos três Estados do Sul e Goiás, apresentam diagnósticos e apontam caminhos viáveis, contemplando quem produz e quem consome.
Naturalmente, esses fazem parte da solução, são os que trabalham.
Basta vontade política para pôr em prática o que esses técnicos pensam e defendem. Estudos prontos, projetos quase montados. Enfim, saídas que não dependem de novos recursos, porque parte desse conhecimento está disponível.
Ao falar no painel sobre tendências de mercado e alternativa de comercialização, na 5 Reunião Sul Brasileira de Feijão, a pesqusiadora da Embrapa Arroz e Feijão, mostra que é possível regularizar o abastecimento e manter uma um quadro de ofertas estável a um nível de preços baixos para o consumidor com justa remuneração para quem produz.
Hoje, a riqueza do feijão fica no processo intermediário, sinônimo de especulação. Sem uma política de abastecimento, sem uma organização de mercado, o preço do feijão, que envolve interesse de milhões de brasileiros, fica a mercê de um grupo de especuladores da ''Bolsinha'' de São Paulo que não passa de 50 grandes corretores, manipuladores do mercado.
Mas isto sem solução. Basta vontade.
Ainda no lodo bom do Brasil, que trabalha, há o exemplo do entrosamento entre os pesquisadores e o agente da extensão na região de Wenceslau Braz, Norte Pioneiro.
Lançada uma nova variedade de feijão, o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Pereira, da Emater, distribuia centenas de amostras de um quilo - que recebia dos seus colegas do Iapar - e repassava para produtores. Esses se comprometiam a repassar 10 quilos para outros produtores.
Dessa forma, estava propagando uma nova variedade de feijão, no caso a ''Iapar 14'' - resitente à doenças (quase dispensando uso de agrotóxicos), altamente produtiva e comercialmente excelente. Assim foi feito com outras variedades que o Iapar ia recomendando. Centenas de dias de campo, talvez milhares de visitas à propriedades ao longo dos últimos 20 anos.
Foi dessa forma que, na década de 80, Wenceslau Braz, se consagrou como referencial de boas sementes e bons grãos de feijão. Com as novas variedade, eram transferidas outras tecnologias, como o sistema de plantio direto (PD), hoje em mais de 90% da área.
Muita gente ganhou dinheiro; saiu de uma agricultura empírica, de subsistência para uma produção tecnificada, de boa renda. Com o feijão, corre dinheiro no comércio.
Na 5 Reunião de Feijão, Luiz Carlos Pereira - ''o semeador de feijão'' - foi um dos homenageados.
Como ele, levando tecnologia e mudando a realidade do campo há tantos outros. Gente que faz parte dos bons brasileiros. Esta semana o assunto foi o feijão - poderia se outro produto ou outra tecnologia; no laboratório ou no campo. Essa gente é a solução que ''tá na mão''. Basta requisitar.,
LEITURA DINÂMICA
- Acima, um relato do Brasil que dá certo, dos brasileiros que fazem parte da solução. A seguir, um exemplo oposto, do outro Brasil:
- Ao ser perguntada ontem sobre o repasse do recursos (para a Cosesp indenizar agricultores prejudicados pela geada do ano passado), a assessoria do ministro Malan alegou desconhecimento e pediu que a repórter enviasse um e-mail explicando o que se trata e com as perguntas.
- A Cosesp, que deve estar cansada de enrolar os produtores, precisa do dinheiro para ressarcir os produtores. É direito deles.
- O pagamento tem que estar previsto em orçamento (não estava), apesar de o governo não arcar com um tostão. O mecanismo desse recurso já foi objeto de explicação nessa coluna, respondendo à cartas de leitores.
Drops
Milho/indicador O indicador de milho no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 11,97/saca de 60 kg, alta de 1,01%. Em dólar, a cotação ficou em US$ 4,70/saca, alta de 0,21%. O valor a prazo ficou em R$ 12,20/saca, alta de 1,67%.
Milho/alta Não é só o Brasil que vai reduzir sua área de produção de milho (15%). A colheita será menor no mundo inteiro. O Usda prevê redução de 9% nos EUA; 9% na Argentina e 17% na China. Quado aponta para alta do produto no final deste ano e ano que vem.
Milho/mercado Mercado não recebeu oferta ontem. Ausência de vendedores sinaliza expectativa de alta ainda em setembro.
Milho/P.Grossa Cotação de compra pelos atacadistas, ontem, variou entre R$ 9,00 e R$ 11,80. Em Irati, preço máximo não passou de R$ 10,50, variando a partir de R$ 8,00.
Apucarana Cotação de compra pelos atacadistas, ontem, segundo o Sima/Deral: R$ 9,50/saca. Em Pato Branco, entre R$ 10,00 e R$ 10,20. Pior preço foi praticado em Jacarezinho R$ 8,50. Mas o preço máximo, na mesma praça chegou a R$ 9,20.
Soja/Bolsa Contratos de setembro, na Bolsa de Chicago, cederam 4,25 cents de dólar, fechando a US$ 4,87/bushel (US$ 10,74/saca). Há previsão de chuva nos EUA.





